A hipófise é uma glândula do tamanho de uma ervilha, na base do cérebro, que comanda a tireoide, as suprarrenais, os ovários e testículos, o crescimento e a produção de leite. Tumores da hipófise — quase sempre adenomas benignos — são frequentes (achados em até 10% das ressonâncias) e se manifestam de duas formas: por excesso de hormônios ou por compressão do que está ao redor, sobretudo os nervos da visão.

Tipos

Adenomas funcionantes produzem hormônio em excesso: - Prolactinoma (o mais comum): em mulheres, ausência de menstruação e saída de leite; em homens, queda de libido e disfunção erétil. - Produtor de GH: acromegalia — crescimento de mãos, pés, mandíbula, alteração dos traços faciais, suor, dor articular, diabetes, apneia do sono. - Produtor de ACTH: doença de Cushing — ganho de peso central, face arredondada, estrias, hipertensão, fraqueza, diabetes. - Produtores de TSH e outros: raros.

Adenomas não funcionantes não produzem hormônio ativo e se manifestam pelo tamanho: dor de cabeça, perda da visão lateral (os campos externos, como "viseiras"), visão dupla, e deficiência hormonal por compressão da glândula normal (cansaço, queda de libido, hipotireoidismo).

Incidentalomas: pequenos, sem sintomas, descobertos por acaso.

Diagnóstico

Ressonância da sela túrcica com contraste; dosagens hormonais completas; exame de campo visual quando o tumor toca as vias ópticas. Avaliação conjunta de endocrinologista e neurocirurgião.

Tratamento

Prolactinoma: tratamento medicamentoso (cabergolina) é a primeira escolha e controla a maioria, reduzindo o tumor — cirurgia apenas em resistência, intolerância ou casos selecionados.

Demais adenomas com sintomas ou crescimento: cirurgia. A técnica padrão é a cirurgia endoscópica transesfenoidal — pelo nariz, através do seio esfenoidal, sem abrir o crânio e sem cicatriz visível. O endoscópio dá visão ampliada e permite remover o tumor preservando a glândula normal. Internação de 2 a 4 dias; retorno a atividades leves em 1 a 2 semanas. Riscos: vazamento de líquor, sangramento nasal, alterações hormonais transitórias (diabetes insípido, com sede e urina abundante), infecção, e, raramente, lesão de estruturas vizinhas.

Radioterapia / radiocirurgia: para resíduos, recorrências ou tumores não ressecáveis; o efeito hormonal é gradual e pode causar deficiência de hormônios com o tempo.

Medicamentos: análogos de somatostatina na acromegalia, entre outros, como complemento ou alternativa.

Reposição hormonal: quando a hipófise não produz o suficiente, antes ou após o tratamento.

Acompanhamento

Ressonâncias periódicas e dosagens hormonais por anos. A visão costuma melhorar rapidamente após a descompressão, sobretudo quando a compressão era recente.

Quando procurar o especialista

Procure avaliação se houver perda de visão lateral, dor de cabeça com alterações hormonais (menstruação irregular, saída de leite, crescimento de extremidades, ganho de peso com estrias e hipertensão), ou se um exame mostrou lesão na hipófise. O tratamento é decidido em conjunto por endocrinologia e neurocirurgia.

Perguntas frequentes

Tumor de hipófise é câncer? Quase nunca. Adenomas são benignos; carcinomas são raríssimos.

A cirurgia pelo nariz deixa sequelas? A maioria recupera bem, com obstrução nasal e crostas por algumas semanas.

Posso engravidar com prolactinoma? Sim, com controle medicamentoso e acompanhamento.


Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Referências

  1. Melmed S. Pituitary-tumor endocrinopathies. N Engl J Med. 2020;382(10):937-950. PMID: 32130815. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32130815/
  2. Molitch ME. Diagnosis and treatment of pituitary adenomas: a review. JAMA. 2017;317(5):516-524. PMID: 28170483. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28170483/
  3. Freda PU, Beckers AM, Katznelson L, et al. Pituitary incidentaloma: an Endocrine Society clinical practice guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2011;96(4):894-904. PMID: 21474686. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21474686/