Um marca-passo para o cérebro. A estimulação cerebral profunda (DBS, da sigla em inglês) implanta eletrodos finos em núcleos específicos do cérebro, conectados a um gerador sob a pele do tórax, que envia pulsos elétricos contínuos. Não cura a doença de Parkinson nem o tremor essencial, mas pode transformar o controle dos sintomas em pacientes selecionados — sobretudo quando a medicação já não dá conta.
Para quem
Doença de Parkinson. Pacientes que responderam bem à levodopa, mas desenvolveram flutuações ("liga-desliga"), discinesias (movimentos involuntários pela medicação) ou tremor resistente, geralmente após 5 anos ou mais de doença. A boa resposta à levodopa prediz boa resposta ao DBS. Não é indicada em demência, sintomas psiquiátricos não controlados ou parkinsonismos atípicos.
Tremor essencial incapacitante, refratário à medicação.
Distonia generalizada ou segmentar, especialmente as formas genéticas.
Outras indicações em estudo ou uso restrito: transtorno obsessivo-compulsivo grave, epilepsia, síndrome de Tourette.
Como funciona
Os alvos mais usados no Parkinson são o núcleo subtalâmico e o globo pálido interno; no tremor, o tálamo. A estimulação em alta frequência modula os circuitos anormais, reduzindo tremor, rigidez, lentidão e discinesias. A intensidade e os parâmetros são ajustados externamente ao longo dos meses.
A cirurgia
- Planejamento com ressonância e tomografia fundidas, definindo o alvo com precisão milimétrica.
- Implante dos eletrodos com auxílio de um arco estereotáxico ou de robô, frequentemente com o paciente acordado para testar o efeito e os efeitos adversos em tempo real (algumas equipes usam anestesia geral com imagem intraoperatória).
- Registro da atividade elétrica dos neurônios para confirmar o alvo.
- Implante do gerador (bateria) sob a pele, abaixo da clavícula, conectado por cabos subcutâneos. Internação de 2 a 5 dias. A programação começa semanas depois e é refinada em consultas sucessivas.
Resultados
No Parkinson, ensaios randomizados mostram melhora importante do tempo com bom controle motor, redução de discinesias e da dose de medicação, e ganho de qualidade de vida superior ao da melhor terapia medicamentosa. No tremor essencial, redução de 60% a 90% do tremor. Os efeitos se mantêm por anos, embora a doença de Parkinson continue progredindo em sintomas que o DBS não trata (equilíbrio, fala, cognição).
Riscos
Hemorragia cerebral (1% a 2%), infecção do sistema (3% a 5%, podendo exigir retirada), quebra ou deslocamento de cabos, efeitos da estimulação (alteração de fala, formigamento, alterações de humor) — geralmente ajustáveis pela programação. A bateria dura de 3 a 5 anos (modelos recarregáveis, mais de 10) e é trocada em pequeno procedimento.
Alternativas
Ultrassom focalizado (HIFU) para tremor essencial e tremor parkinsoniano em um lado, sem implante; infusões contínuas de levodopa (intestinal ou subcutânea) e apomorfina para flutuações.
Quando procurar o especialista
Se você tem Parkinson com flutuações ou discinesias apesar de ajustes de medicação, ou tremor incapacitante refratário, peça avaliação em centro de distúrbios do movimento com neurologista e neurocirurgião funcional. A seleção cuidadosa é o que determina o sucesso.
Perguntas frequentes
DBS cura o Parkinson? Não. Controla sintomas motores; a doença continua evoluindo.
Vou parar a medicação? Geralmente reduz, raramente suspende por completo.
Posso fazer ressonância com DBS? Sim, com sistemas compatíveis e protocolos específicos; informe sempre.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Referências
- Deuschl G, Schade-Brittinger C, Krack P, et al. A randomized trial of deep-brain stimulation for Parkinson's disease. N Engl J Med. 2006;355(9):896-908. PMID: 16943402. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16943402/
- Schuepbach WM, Rau J, Knudsen K, et al. Neurostimulation for Parkinson's disease with early motor complications. N Engl J Med. 2013;368(7):610-622. PMID: 23406026. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23406026/
- Lozano AM, Lipsman N, Bergman H, et al. Deep brain stimulation: current challenges and future directions. Nat Rev Neurol. 2019;15(3):148-160. PMID: 30683913. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30683913/

