As siglas aparecem na proposta cirúrgica e parecem um código: TLIF, PLIF, ALIF, XLIF (ou LLIF), OLIF. Todas significam a mesma coisa — fusão intersomática lombar, ou seja, colocar um espaçador com enxerto entre duas vértebras para que se fundam — e diferem apenas no caminho pelo qual o cirurgião chega ao disco. Cada via tem vantagens, limites e riscos próprios, e a escolha depende do nível, da anatomia e do objetivo.

O que todas têm em comum

Remoção do disco doente, colocação de um espaçador (cage) preenchido com enxerto ósseo no espaço do disco, e fixação com parafusos pediculares e hastes (na maioria). O espaçador restaura a altura do disco, abre os forames por onde saem os nervos e cria a superfície para a fusão. O "IF" das siglas é interbody fusion — fusão entre os corpos vertebrais.

PLIF — via posterior

Acesso pelas costas, na linha média. O cirurgião remove a lâmina e parte das facetas dos dois lados, afasta as raízes e coloca dois cages, um de cada lado. Permite descompressão ampla. Desvantagem: maior tração das raízes e da dura, mais dissecção muscular.

TLIF — via transforaminal

Acesso também pelas costas, mas por um lado só, através do forame, removendo uma faceta. Coloca-se um único cage em posição oblíqua. Menos manipulação dos nervos que o PLIF; pode ser feito por técnica minimamente invasiva (MIS-TLIF) por tubos, com menor dano muscular. É a técnica posterior mais usada hoje.

ALIF — via anterior

Acesso pela frente, através do abdome (retroperitoneal), com afastamento dos grandes vasos. Permite remover o disco completamente e colocar um cage grande, com excelente restauração de altura e lordose e alta taxa de fusão. Indicado sobretudo em L5-S1 e L4-L5. Riscos próprios: lesão de vasos, íleo intestinal, ejaculação retrógrada em homens (por lesão do plexo nervoso), hérnia incisional. Geralmente feito com cirurgião de acesso (vascular ou geral).

XLIF / LLIF — via lateral

Acesso pelo flanco, através do músculo psoas, com o paciente de lado. Permite cage grande sem tocar em nervos do canal nem em vasos anteriores; ótimo para correção de escoliose degenerativa e para múltiplos níveis de L1 a L4-L5 (L5-S1 não é acessível pela crista ilíaca). Risco específico: dormência ou fraqueza transitória na coxa por irritação do plexo lombar dentro do psoas, monitorada com neurofisiologia durante a cirurgia.

OLIF — via oblíqua

Variante lateral que passa à frente do psoas, evitando o plexo, com acesso a L5-S1 em alguns casos. Combina vantagens da lateral com menos risco neurológico.

Como o cirurgião escolhe

  • Nível: L5-S1 favorece ALIF ou TLIF; L2 a L4 favorece lateral.
  • Objetivo: descompressão ampla (posterior); correção de deformidade e lordose (anterior/lateral).
  • Cirurgia prévia: cicatriz posterior favorece anterior ou lateral.
  • Anatomia vascular e do psoas (avaliada na ressonância).
  • Experiência da equipe com cada via. Muitas vezes combina-se uma via anterior ou lateral (cage) com fixação posterior percutânea (parafusos) — a "cirurgia 360".

Perguntas para o cirurgião

Por que essa via no meu caso? Qual o risco específico dela? Vai precisar de parafusos por trás também? Qual a taxa de fusão esperada? Quantas realiza por ano?

Quando procurar o especialista

Se você recebeu proposta de artrodese com uma dessas siglas, use a consulta para entender a escolha — e considere segunda opinião, sobretudo para confirmar que a fusão é necessária antes de discutir por qual via.

Perguntas frequentes

Uma via é melhor que a outra? Não em geral; cada uma é melhor para situações específicas.

Cirurgia lateral é "sem corte"? É minimamente invasiva, mas é cirurgia, com riscos próprios.

Vou ter cicatriz na barriga? No ALIF e nas laterais, sim, pequena.


Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Referências

  1. Mobbs RJ, Phan K, Malham G, et al. Lumbar interbody fusion: techniques, indications and comparison of interbody fusion options including PLIF, TLIF, MI-TLIF, OLIF/ATP, LLIF and ALIF. J Spine Surg. 2015;1(1):2-18. PMID: 27683674. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27683674/
  2. Försth P, et al. A randomized, controlled trial of fusion surgery for lumbar spinal stenosis. N Engl J Med. 2016;374(15):1413-1423. PMID: 27074066. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27074066/
  3. Sasso RC, et al. Retrograde ejaculation after anterior lumbar interbody fusion. Spine. 2003;28(10):1023-1026. PMID: 12768143. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12768143/