Na maioria das cirurgias de coluna, remove-se um disco, um fragmento de osso ou uma lâmina. Na corpectomia, remove-se o corpo inteiro da vértebra — a parte cilíndrica que suporta o peso — e substitui-se por um implante ou enxerto, com fixação acima e abaixo. É uma cirurgia de grande porte, reservada a situações em que a vértebra está destruída ou comprime a medula pela frente de forma que nenhuma outra técnica resolve.

Quando é indicada

  • Fraturas com explosão do corpo vertebral e fragmentos comprimindo a medula ou instabilidade grave.
  • Tumores (metástases, tumores primários) que destroem o corpo vertebral, com compressão ou risco de colapso.
  • Infecções (espondilodiscite, tuberculose) com destruição óssea e abscesso.
  • Mielopatia cervical com compressão extensa por trás dos corpos vertebrais (ossificação do ligamento longitudinal posterior, osteófitos em vários níveis) — a corpectomia cervical anterior descomprime a medula de forma direta.
  • Deformidades rígidas que exigem reconstrução anterior.

Como é feita

O acesso é pela frente ou pelo lado: pescoço (cervical), tórax entre as costelas ou por via lateral (torácica), flanco ou abdome (lombar). O disco acima e abaixo e o corpo vertebral são removidos; a medula e as raízes são descomprimidas; o espaço é preenchido com um cage expansível ou de malha de titânio com enxerto, ou com enxerto estrutural; uma placa ou parafusos fixam o conjunto. Frequentemente associa-se fixação posterior com parafusos em cirurgia combinada. Dura de 3 a 6 horas; exige monitorização neurofisiológica e, muitas vezes, cirurgião de acesso torácico ou vascular.

Recuperação

Internação de 3 a 7 dias, parte em UTI em cirurgias torácicas ou extensas. Colete ou colar por semanas em alguns casos. Caminhada precoce. Retorno a atividades leves em 4 a 8 semanas; consolidação da fusão em 4 a 12 meses. Fisioterapia contínua.

Riscos

Maiores que os de descompressões simples, pela extensão e pelo acesso: sangramento (o corpo vertebral é vascularizado), lesão de vasos, pulmão ou vísceras conforme a via, lesão neurológica, dificuldade para engolir ou rouquidão (cervical), pseudoartrose e falha de implante, infecção. Em tumores, o estado geral do paciente pesa muito na decisão. Técnicas minimamente invasivas laterais reduzem parte desses riscos em casos selecionados.

Alternativas

Em metástases com compressão, a combinação de descompressão posterior menos extensa com estabilização e radioterapia (cirurgia de separação) frequentemente substitui a corpectomia completa. Em fraturas por osteoporose, vertebroplastia ou cifoplastia. Em mielopatia cervical em um ou dois níveis, ACDF em vez de corpectomia.

Quando procurar o especialista

A corpectomia é indicada em situações graves, geralmente identificadas em hospital. Se você ou um familiar tem fratura, tumor ou infecção de coluna com proposta de corpectomia, uma segunda opinião em centro de referência é apropriada — e a discussão deve incluir alternativas e o objetivo (função, dor, estabilidade).

Perguntas frequentes

A vértebra é substituída por metal? Por um cage com enxerto, que o osso invade com o tempo, ou por enxerto estrutural.

Vou ficar mais baixo? A altura é restaurada pelo implante; frequentemente se recupera altura perdida pelo colapso.

Quanto tempo dura a recuperação? Meses; a fusão completa leva até um ano.


Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Referências

  1. Patchell RA, et al. Direct decompressive surgical resection in the treatment of spinal cord compression caused by metastatic cancer: a randomised trial. Lancet. 2005;366(9486):643-648. PMID: 16112300. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16112300/
  2. Fehlings MG, et al. A clinical practice guideline for the management of patients with degenerative cervical myelopathy. Global Spine J. 2017;7(3 Suppl):70S-83S. PMID: 29164035. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29164035/
  3. Laufer I, Iorgulescu JB, Chapman T, et al. Local disease control for spinal metastases following "separation surgery" and adjuvant hypofractionated or high-dose single-fraction stereotactic radiosurgery. J Neurosurg Spine. 2013;18(3):207-214. PMID: 23339593. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23339593/