Cada raiz nervosa deixa a coluna por uma abertura lateral entre duas vértebras — o forame. Quando ele se estreita por osteófitos, artrose facetária, perda de altura do disco ou uma hérnia lateral, a raiz é comprimida exatamente na saída, causando dor irradiada intensa. A foraminotomia amplia essa abertura, aliviando a compressão sem fundir a coluna.
O que é
A remoção cirúrgica de osso e ligamento ao redor do forame — parte da faceta, osteófitos, ligamento amarelo — até que a raiz fique livre. Pode ser feita isolada ou como parte de uma descompressão maior (laminectomia com foraminotomia) e, na cervical, por via posterior sem tocar no disco.
Indicações
- Estenose foraminal lombar ou cervical com dor radicular (na perna ou no braço) que não melhorou com tratamento conservador.
- Hérnia foraminal ou extraforaminal — hérnias laterais, que comprimem a raiz na saída.
- Radiculopatia cervical por osteófito ou hérnia lateral, em que se quer preservar o movimento e evitar a artrodese anterior (ACDF).
- Compressão residual após cirurgia prévia.
Técnicas
Aberta ou microcirúrgica: por incisão de 2 a 4 cm, com microscópio. Minimamente invasiva por tubo: dilatadores afastam a musculatura sem cortá-la. Endoscópica: por incisão menor que 1 cm, com câmera; a via transforaminal é especialmente adequada para o forame lombar, e a foraminotomia cervical posterior endoscópica é uma alternativa consolidada à ACDF em hérnias laterais.
Resultados
Alívio da dor radicular em 80% a 90% dos casos bem indicados. Na cervical, estudos comparando foraminotomia posterior e ACDF mostram resultados clínicos semelhantes para radiculopatia por hérnia lateral, com a vantagem de preservar o movimento e evitar implantes.
Riscos
Irritação transitória da raiz (dormência, dor por alguns dias), lesão da dura com vazamento de líquor (raro), sangramento, infecção. Um risco específico: remover demais da faceta pode causar instabilidade; por isso, a quantidade de osso removido é planejada e, quando há instabilidade prévia ou espondilolistese, a artrodese pode ser necessária em vez da foraminotomia isolada.
Recuperação
Caminhar no mesmo dia; alta em 24 horas (mesmo dia na endoscópica); atividades leves em 1 a 2 semanas; trabalho de escritório em 2 a 3 semanas; fisioterapia a partir da segunda semana; esportes após 6 a 8 semanas. Dor radicular melhora rapidamente; dormência residual pode levar semanas a meses.
Foraminotomia ou artrodese?
Quando a compressão é foraminal e o segmento é estável, a foraminotomia isolada é suficiente e evita a fusão. Quando há instabilidade, colapso do disco com forame muito estreito ou deformidade, a fusão com restauração da altura do disco (que abre o forame indiretamente) pode ser a escolha. O exame dinâmico define.
Quando procurar o especialista
Agende avaliação se você tem dor irradiada com estenose foraminal na ressonância que não melhorou com tratamento conservador, ou se recebeu indicação de ACDF para hérnia cervical lateral e quer saber se a foraminotomia posterior se aplica.
Perguntas frequentes
Foraminotomia é a mesma coisa que laminectomia? Não. A laminectomia amplia o canal central; a foraminotomia amplia a saída lateral. Podem ser combinadas.
Precisa de parafusos? Não, quando o segmento é estável.
A estenose pode voltar? O processo degenerativo continua; reestenose sintomática é incomum, mas possível anos depois.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Referências
- Gadjradj PS, et al. Full endoscopic versus open discectomy for sciatica: randomised controlled non-inferiority trial. BMJ. 2022;376:e065846. PMID: 35190388. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35190388/
- Ruetten S, Komp M, Merk H, Godolias G. Full-endoscopic cervical posterior foraminotomy for the operation of lateral disc herniations using 5.9-mm endoscopes: a prospective, randomized, controlled study. Spine. 2008;33(9):940-948. PMID: 18427313. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18427313/
- Lurie J, Tomkins-Lane C. Management of lumbar spinal stenosis. BMJ. 2016;352:h6234. PMID: 26727925. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26727925/

