Confirmada a origem facetária da dor lombar ou cervical, dois procedimentos entram em cena: a infiltração intra-articular com corticoide e a denervação por radiofrequência (rizotomia). Frequentemente confundidos, têm objetivos, durações e evidências diferentes — e a sequência entre eles importa.

Infiltração facetária intra-articular

O que é: injeção de anestésico e corticoide dentro da articulação facetária, sob radioscopia. Objetivo: reduzir a inflamação articular; alívio de semanas a poucos meses. Evidência: moderada a baixa para efeito duradouro; útil em crises e em pacientes que não são candidatos à radiofrequência. Diretrizes recentes preferem o bloqueio dos ramos mediais como teste e a radiofrequência como tratamento, reservando a infiltração intra-articular a situações específicas. Limites: efeito curto; limite anual de corticoide.

Bloqueio dos ramos mediais (teste)

O que é: anestésico sobre os pequenos nervos que levam a dor da faceta (ramos mediais), fora da articulação. Objetivo: confirmar que a faceta é a fonte (alívio de horas). Muitos protocolos exigem dois bloqueios positivos, ou um bloqueio com alívio superior a 50% a 80%, antes de indicar a radiofrequência.

Radiofrequência dos ramos mediais (rizotomia/denervação)

O que é: uma agulha-eletrodo é posicionada junto ao ramo medial e aquecida por radiofrequência (80 °C por 60 a 90 segundos), interrompendo a condução do nervo sensitivo. Objetivo: alívio prolongado (6 meses a 2 anos); repetível quando o nervo regenera. Evidência: boa quando a seleção é feita com bloqueios diagnósticos rigorosos; resultados fracos quando indicada sem essa confirmação (o que explica estudos negativos, como os ensaios MINT). Riscos: dor e sensação de queimação transitórias por dias; raramente, dormência cutânea; complicações graves excepcionais.

A sequência recomendada

  1. Tratamento conservador (exercício, medicação em crises) por semanas a meses.
  2. Suspeita clínica de dor facetária (padrão em extensão, ao levantar, sem irradiação abaixo do joelho).
  3. Bloqueio diagnóstico dos ramos mediais (um ou dois).
  4. Se positivo → radiofrequência.
  5. Infiltração intra-articular: alternativa em crises agudas, em quem não pode fazer radiofrequência, ou em alguns protocolos como etapa inicial.

Comparação rápida

Infiltração intra-articular Radiofrequência
Duração do alívio Semanas a poucos meses 6 meses a 2 anos
Necessita teste prévio Não obrigatório Sim (bloqueio dos ramos mediais)
Repetição Limitada pelo corticoide Sem limite formal
Evidência Moderada/baixa Boa com seleção adequada
Dor pós-procedimento Mínima Dias

Quando procurar o especialista

Se sua dor tem padrão facetário e persiste apesar do exercício, agende avaliação para confirmar a origem com bloqueio diagnóstico e discutir a radiofrequência — o caminho com melhor relação benefício-duração.

Perguntas frequentes

A radiofrequência queima a coluna? Não; age em um nervo sensitivo de poucos milímetros, sem afetar estrutura ou nervos motores.

Posso fazer nos dois lados e em vários níveis? Sim, conforme os bloqueios diagnósticos.

Quantas vezes posso repetir a radiofrequência? Quando a dor retorna, geralmente com o mesmo sucesso; não há limite formal.


Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Referências

  1. Cohen SP, et al. Consensus practice guidelines on interventions for lumbar facet joint pain. Reg Anesth Pain Med. 2020;45(6):424-467. PMID: 32245841. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32245841/
  2. Juch JNS, et al. Effect of radiofrequency denervation on pain intensity among patients with chronic low back pain: the MINT randomized clinical trials. JAMA. 2017;318(1):68-81. PMID: 28672319. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28672319/
  3. Cohen SP, Raja SN. Pathogenesis, diagnosis, and treatment of lumbar zygapophysial (facet) joint pain. Anesthesiology. 2007;106(3):591-614. PMID: 17325518. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17325518/