Entre as infiltrações da coluna, a foraminal — ou bloqueio radicular seletivo — é a mais dirigida: o medicamento é depositado exatamente no forame por onde a raiz comprimida sai da coluna, ao lado da hérnia ou do osteófito. É o procedimento com melhor evidência para aliviar a dor radicular a curto e médio prazo, e também serve como teste diagnóstico.

Como é feita

Paciente de bruços, com anestesia local na pele e sedação leve se necessário. Sob radioscopia (ou tomografia), uma agulha fina é guiada até a entrada do forame do nível e do lado desejados; injeta-se contraste para confirmar a posição e a distribuição ao longo da raiz; em seguida, anestésico e corticoide (dexametasona é preferida por segurança). Dura 15 a 30 minutos; alta em 1 a 2 horas; sem dirigir no dia.

Para quem

  • Dor irradiada (ciática ou dor no braço) por hérnia de disco ou estenose foraminal, com correlação entre o nível da imagem e os sintomas.
  • Dor que não melhorou com 4 a 6 semanas de tratamento conservador, ou intensa demais para permitir a reabilitação.
  • Como teste diagnóstico quando há dúvida sobre qual raiz (ou qual nível) gera a dor — o alívio seletivo confirma.
  • Como ponte para quem quer adiar ou evitar cirurgia. Não é indicada em déficit neurológico progressivo ou cauda equina.

O que esperar

Anestésico: alívio imediato por horas (o "teste"). Corticoide: efeito em 2 a 7 dias, com alívio de semanas a meses em 50% a 70% dos pacientes. A resposta é melhor em hérnias (componente inflamatório) que em estenose óssea. O alívio deve ser usado para a fisioterapia progredir.

Diferença para a infiltração epidural

A epidural (interlaminar ou caudal) deposita o medicamento no espaço epidural de forma mais difusa, útil em estenose central e em dor que envolve várias raízes. A foraminal é mais precisa para uma raiz específica e permite o teste diagnóstico. A escolha depende do quadro.

Riscos

Baixos: dor local por dias, aumento transitório da glicemia, rubor, insônia (corticoide). Raros: infecção, sangramento, lesão de raiz. Na cervical e na torácica, a técnica exige cuidado especial pela proximidade de artérias; usam-se corticoides não particulados e cirurgiões/intervencionistas experientes. Limite de 3 a 4 infiltrações com corticoide por ano.

Quando procurar o especialista

Se a dor irradiada persiste após semanas de tratamento conservador, ou impede a fisioterapia, agende avaliação para definir se o bloqueio radicular se aplica — e para integrá-lo ao plano, não usá-lo isoladamente.

Perguntas frequentes

Dói? Desconforto breve na punção; pode reproduzir a dor irradiada por segundos ao tocar a raiz, o que confirma o alvo.

Se funcionar, não preciso operar? Frequentemente, sim — sobretudo em hérnias, que tendem a regredir. Em estenose óssea, o alívio pode ser temporário.

Se não funcionar, a cirurgia é o próximo passo? Não necessariamente; a reavaliação define — mas a falta de resposta a um bloqueio bem feito é uma informação útil.


Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Referências

  1. Manchikanti L, et al. Epidural interventions in the management of chronic spinal pain: ASIPP comprehensive evidence-based guidelines. Pain Physician. 2021;24(S1):S27-S208. PMID: 33492918. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33492918/
  2. Kreiner DS, et al. An evidence-based clinical guideline for the diagnosis and treatment of lumbar disc herniation with radiculopathy. Spine J. 2014;14(1):180-191. PMID: 24239490. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24239490/
  3. Ghahreman A, Ferch R, Bogduk N. The efficacy of transforaminal injection of steroids for the treatment of lumbar radicular pain. Pain Med. 2010;11(8):1149-1168. PMID: 20704666. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20704666/