Menos de 1% das hérnias de disco sintomáticas ocorrem na coluna torácica. A caixa torácica estabiliza a região e limita o movimento, o que protege os discos — mas quando uma hérnia torácica aparece, o cenário é diferente do lombar: a medula está no canal, o espaço é estreito, e o diagnóstico é frequentemente tardio porque os sintomas imitam outras condições.
Por que é diferente
Na lombar, o canal abriga apenas raízes (cauda equina); na torácica, abriga a medula espinhal, com pouco espaço ao redor. Uma hérnia que comprime a medula pode causar mielopatia — sintomas nas pernas, na marcha e na bexiga — e não apenas dor. Além disso, hérnias torácicas frequentemente calcificam, o que dificulta a remoção.
Sintomas
- Dor na coluna torácica, muitas vezes em faixa ao redor do tórax ou do abdome (dor radicular), confundida com problemas cardíacos, pulmonares, digestivos ou herpes zóster.
- Formigamento ou dormência em faixa no tronco.
- Sinais de mielopatia: rigidez e fraqueza nas pernas, alteração da marcha, desequilíbrio, alterações urinárias, sensação de faixa apertada. Uma parcela das hérnias torácicas é assintomática e achada em ressonâncias por outros motivos — presente em até 10% a 15% das pessoas sem sintomas.
Diagnóstico
Ressonância da coluna torácica com sequências que mostrem a medula; tomografia para avaliar calcificação (importante para o planejamento cirúrgico); exame neurológico detalhado dos membros inferiores. Afastar causas cardíacas, pulmonares e abdominais quando a dor é em faixa.
Tratamento
Conservador para dor sem déficit neurológico: medicação, fisioterapia, bloqueios. Muitas hérnias torácicas pequenas são tratadas assim com sucesso.
Cirurgia para mielopatia, déficit progressivo ou dor radicular refratária. Aqui está a principal diferença: a via posterior simples (como na lombar) é perigosa na torácica, porque exigiria afastar a medula. Usam-se vias que chegam ao disco pelo lado ou pela frente: transpedicular ou costotransversectomia (posterolateral), toracoscópica (por vídeo, entre as costelas), lateral minimamente invasiva, ou toracotomia em hérnias grandes calcificadas. Frequentemente associa-se artrodese. É cirurgia de maior complexidade, feita por equipes com experiência específica, com monitorização neurofisiológica.
Prognóstico
Excelente na dor radicular; na mielopatia, o objetivo é interromper a progressão — a recuperação depende da duração e da gravidade da compressão, o que reforça o diagnóstico precoce.
Quando procurar o especialista
Dor em faixa no tórax sem causa cardíaca ou pulmonar, formigamento no tronco, ou rigidez e fraqueza nas pernas com alteração de marcha: avaliação com especialista em coluna e ressonância torácica. Alterações urinárias ou fraqueza progressiva são urgentes.
Perguntas frequentes
Hérnia torácica achada por acaso precisa de tratamento? Não, se assintomática; acompanhamento clínico.
Pode causar dor no peito? Sim, dor em faixa que imita dor cardíaca — sempre afastar o coração primeiro.
A cirurgia é mais arriscada que a lombar? É mais complexa pela presença da medula; em centros experientes, os resultados são bons.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Referências
- Wood KB, Garvey TA, Gundry C, Heithoff KB. Magnetic resonance imaging of the thoracic spine: evaluation of asymptomatic individuals. J Bone Joint Surg Am. 1995;77(11):1631-1638. PMID: 7593072. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7593072/
- Court C, Mansour E, Bouthors C. Thoracic disc herniation: surgical treatment. Orthop Traumatol Surg Res. 2018;104(1S):S31-S40. PMID: 29225115. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29225115/
- Fehlings MG, et al. A clinical practice guideline for the management of patients with degenerative cervical myelopathy. Global Spine J. 2017;7(3 Suppl):70S-83S. PMID: 29164035. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29164035/

