Cervicobraquialgia é o termo médico para a combinação de dor cervical (cervical) com dor no braço (braquial). Aparece em laudos e atestados e, como a lombociatalgia, descreve um quadro, não um diagnóstico: a dor no braço pode vir de compressão de raiz, de dor referida de estruturas cervicais, do ombro ou de nervos periféricos. O tratamento depende de qual é a origem.
Dois mecanismos
Radiculopatia (raiz comprimida). Dor em faixa até a mão, formigamento em dedos específicos, possível fraqueza, piora ao mover o pescoço. Causas: hérnia cervical (C5-C6 e C6-C7 são os níveis mais comuns) e estenose foraminal por osteófitos.
Dor referida. Facetas, discos e músculos cervicais projetam dor para o ombro e o braço, geralmente sem passar do cotovelo, sem formigamento definido nem déficit. É mais difusa e responde a tratamento local.
Causas e faixas etárias
- 20 a 50 anos: hérnia de disco cervical, dor miofascial, postura em telas.
- Acima de 50: espondilose com estenose foraminal, artrose facetária.
- Qualquer idade: síndrome do desfiladeiro torácico, dor de ombro referida, túnel do carpo coexistente.
Sintomas que orientam
- Dor até a mão com formigamento em dedos específicos: radicular.
- Dor até o cotovelo, difusa, com pontos dolorosos no trapézio: referida/miofascial.
- Piora ao elevar o braço, dor no ombro ao toque: articular (ombro).
- Formigamento noturno nos três primeiros dedos: túnel do carpo.
- Desajeitamento das mãos, desequilíbrio: mielopatia — avaliação rápida.
Diagnóstico
Exame físico com testes cervicais (Spurling, distração, teste de tensão do membro superior), exame do ombro e neurológico; ressonância cervical se há suspeita de radiculopatia com déficit ou falha do tratamento; eletroneuromiografia em dúvida entre raiz e nervo periférico.
Tratamento
Fase aguda: medicação, calor, evitar posturas sustentadas, travesseiro adequado; colar cervical só por poucos dias, se muito. Fisioterapia: mobilidade, fortalecimento dos flexores profundos e escapulares, terapia manual, mobilização neural; ergonomia. Bloqueio radicular guiado em dor radicular intensa. Cirurgia (ACDF, prótese, foraminotomia) para déficit progressivo, mielopatia ou dor radicular refratária após 6 a 12 semanas. A maioria das cervicobraquialgias melhora com tratamento conservador em semanas.
CID
M53.1 (síndrome cervicobraquial); M50.1 quando há hérnia cervical com radiculopatia.
Quando procurar o especialista
Agende avaliação se a dor no braço dura mais de duas semanas, vem com formigamento em dedos ou fraqueza, ou se o tratamento inicial não resolveu. O exame diferencia raiz, referida, ombro e nervo periférico — cada uma com tratamento próprio.
Perguntas frequentes
Cervicobraquialgia é hérnia? Nem sempre; a hérnia é uma das causas.
Posso trabalhar no computador? Sim, com ajustes: monitor na altura dos olhos, pausas, apoio de antebraços.
Precisa de cirurgia? Raramente; apenas com déficit, mielopatia ou dor radicular refratária.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Referências
- Bono CM, et al. An evidence-based clinical guideline for the diagnosis and treatment of cervical radiculopathy from degenerative disorders. Spine J. 2011;11(1):64-72. PMID: 21168100. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21168100/
- Cohen SP. Epidemiology, diagnosis, and treatment of neck pain. Mayo Clin Proc. 2015;90(2):284-299. PMID: 25659245. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25659245/
- Fehlings MG, et al. A clinical practice guideline for the management of patients with degenerative cervical myelopathy. Global Spine J. 2017;7(3 Suppl):70S-83S. PMID: 29164035. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29164035/

