A escoliose não é só coisa de adolescente. Uma parcela grande dos adultos acima de 60 anos apresenta alguma curvatura lateral na radiografia — muitas vezes descoberta ao investigar dor lombar ou dor nas pernas ao caminhar. A escoliose do adulto tem lógica diferente da juvenil: o problema principal não é a curva, e sim a dor, a estenose e o desequilíbrio que a acompanham.
Dois cenários
Escoliose idiopática do adolescente que chegou à vida adulta. Curvas que não foram tratadas ou que eram consideradas estáveis. Curvas acima de 40 a 50 graus podem progredir lentamente ao longo das décadas (cerca de 1 grau por ano) e, com o desgaste, causar sintomas tardiamente.
Escoliose degenerativa (de novo). Surge após os 50 anos por desgaste assimétrico de discos e facetas: um lado colapsa mais que o outro, a coluna inclina e gira. Geralmente na lombar, com curvas de menor grau, mas com estenose e listese associadas.
Sintomas
- Dor lombar, pior em pé e ao caminhar, melhor sentado.
- Dor nas pernas, formigamento ou peso ao caminhar (estenose associada).
- Dor irradiada para uma perna (estenose foraminal no lado côncavo da curva).
- Sensação de desequilíbrio, inclinação do tronco para a frente ou para o lado.
- Perda de altura, roupas que não caem bem.
- Fadiga muscular ao final do dia.
Diagnóstico
Radiografia de coluna inteira em pé, de frente e de perfil, para medir a curva e, principalmente, avaliar o equilíbrio do tronco (alinhamento sagital e coronal) — o parâmetro que melhor se relaciona com dor e função. Ressonância para avaliar compressão neural.
Tratamento conservador (primeiro caminho)
Para a maioria dos adultos com escoliose, a curva em si não precisa de correção. O foco é função: - Exercício e fisioterapia: fortalecimento do core e extensores, mobilidade de quadril, treino de marcha e equilíbrio; exercícios específicos para escoliose. - Controle da dor: medicação em crises, infiltrações para dor facetária ou radicular. - Atividade aeróbica de baixo impacto. - Colete tem uso limitado em adultos, apenas para conforto em situações específicas. - Controle de peso, osteoporose e tabagismo.
Quando a cirurgia é considerada
- Dor incapacitante que não responde ao tratamento conservador.
- Déficit neurológico ou estenose sintomática grave.
- Desequilíbrio progressivo do tronco que impede ficar ereto ou caminhar.
- Progressão documentada da curva com piora funcional.
As opções vão da descompressão isolada (quando o problema dominante é a estenose e a curva é estável) à artrodese com correção de um ou vários níveis. Cirurgias de correção extensa em idosos têm taxas de complicação relevantes (20% a 40% em alguns estudos), e a decisão exige avaliação criteriosa de riscos, benefícios e expectativas — sempre com tempo para segunda opinião.
Quando procurar o especialista
Agende avaliação se você tem dor lombar ou nas pernas com escoliose na radiografia, se nota inclinação progressiva do tronco ou perda de altura, ou se recebeu indicação de cirurgia de deformidade. Um especialista em coluna com experiência em deformidade do adulto define se o tratamento deve focar a dor, a estenose ou a curva.
Perguntas frequentes
Escoliose do adulto sempre piora? Curvas pequenas geralmente ficam estáveis. Curvas maiores e com desgaste assimétrico tendem a progredir lentamente.
Posso fazer musculação? Sim, com orientação. Musculatura forte é o principal suporte para uma coluna com curva.
A cirurgia deixa a coluna reta? O objetivo é equilíbrio e alívio dos sintomas, não uma coluna perfeitamente reta.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Referências
- Schwab F, Dubey A, Gamez L, et al. Adult scoliosis: prevalence, SF-36, and nutritional parameters in an elderly volunteer population. Spine. 2005;30(9):1082-1085. PMID: 15864163. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15864163/
- Smith JS, Shaffrey CI, Berven S, et al. Operative versus nonoperative treatment of leg pain in adults with scoliosis: a retrospective review of a prospective multicenter database with two-year follow-up. Spine. 2009;34(16):1693-1698. PMID: 19770610. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19770610/
- Diebo BG, Shah NV, Boachie-Adjei O, et al. Adult spinal deformity. Lancet. 2019;394(10193):160-172. PMID: 31305254. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31305254/

