"Degeneração discal grau III de Pfirrmann." O termo aparece em laudos de ressonância e parece uma nota de gravidade — mas é apenas uma escala descritiva de como o disco aparece na imagem, criada para padronizar a linguagem entre radiologistas e pesquisadores. Saber o que cada grau significa (e o que não significa) evita interpretar um número como sentença.

A escala

Baseada na sequência T2 da ressonância, que mostra água em branco. O disco jovem é branco e homogêneo; à medida que perde água, escurece e perde altura.

  • Grau I: disco branco, homogêneo, com clara distinção entre núcleo e anel, altura normal. Típico de jovens.
  • Grau II: disco ainda claro, mas heterogêneo, com bandas; distinção núcleo-anel mantida; altura normal. Comum em adultos jovens.
  • Grau III: disco cinza, distinção núcleo-anel pouco clara; altura normal ou levemente reduzida. O mais frequente em adultos de meia-idade.
  • Grau IV: disco cinza-escuro, sem distinção núcleo-anel; altura reduzida de forma moderada.
  • Grau V: disco preto, colapsado, com altura muito reduzida.

O que o grau significa

Descreve o estágio de desidratação e envelhecimento do disco. Graus II e III são a regra a partir dos 30 a 40 anos; graus IV e V são comuns em idosos. Estudos com pessoas sem dor mostram degeneração discal em 37% aos 20 anos, 68% aos 40 e 96% aos 80.

O que o grau não significa

  • Não mede dor: a correlação entre grau de Pfirrmann e sintomas é fraca. Há discos grau V sem dor e grau II com dor.
  • Não indica tratamento: nenhuma decisão terapêutica depende do grau isolado.
  • Não é progressão inevitável: a degeneração avança lentamente; muitos discos permanecem no mesmo grau por anos.
  • Não é hérnia: um disco pode estar degenerado sem hérnia, e herniado com grau baixo.

Para que serve, então

Padronizar descrições, acompanhar pesquisas, e, em alguns contextos, ajudar a decidir a técnica cirúrgica (por exemplo, prótese de disco é preferida em graus intermediários, com altura preservada; artrodese em discos colapsados) ou a estimar a probabilidade de a dor lombar ter componente discogênico, sempre junto com o exame físico e outros achados (alterações Modic, fissuras).

Outras escalas do laudo

  • Modic (tipos 1, 2, 3): alterações da medula óssea vertebral adjacente ao disco; o tipo 1 (edema) associa-se mais a dor.
  • Nomenclatura da hérnia (abaulamento, protrusão, extrusão, sequestro).
  • Graus de estenose (leve, moderada, grave) por estimativa visual.

Quando procurar o especialista

Se o laudo trouxe graus de Pfirrmann e você quer saber quais achados explicam a sua dor, leve o exame ao especialista. O que orienta a conduta é o conjunto — sintomas, exame físico e imagem —, não a nota do disco.

Perguntas frequentes

Grau III é grave? Não. É o achado mais comum em adultos.

Posso reverter o grau? Não há tratamento que reidrate o disco de forma comprovada. O objetivo é função, não imagem.

O grau piora com exercício? Não. Exercício regular é protetor.


Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Referências

  1. Pfirrmann CW, Metzdorf A, Zanetti M, et al. Magnetic resonance classification of lumbar intervertebral disc degeneration. Spine. 2001;26(17):1873-1878. PMID: 11568697. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11568697/
  2. Brinjikji W, et al. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. AJNR. 2015;36(4):811-816. PMID: 25430861. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25430861/
  3. Fardon DF, et al. Lumbar disc nomenclature: version 2.0. Spine J. 2014;14(11):2525-2545. PMID: 24768732. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24768732/