A maioria das ressonâncias de coluna é feita sem contraste — e é suficiente para hérnias, estenoses e degeneração. O contraste (gadolínio) entra em situações específicas, em que é preciso diferenciar tecidos que, sem ele, parecem iguais. Saber quando ele é indicado evita tanto exames incompletos quanto injeções desnecessárias.
O que o contraste faz
O gadolínio é injetado na veia e se distribui pelos tecidos com vascularização e barreiras alteradas — cicatriz, tumor, infecção, inflamação — que "brilham" nas imagens. Tecidos normais e hérnias (que não têm vasos) não captam.
Quando é indicado
Após cirurgia de coluna com dor persistente ou recorrente. A principal indicação: diferenciar fibrose (cicatriz, que capta contraste) de hérnia recidivada (que não capta). Sem contraste, as duas podem ser idênticas.
Suspeita de tumor. Lesões vertebrais, da medula ou dos nervos; metástases; histórico de câncer com dor nova.
Suspeita de infecção. Espondilodiscite, abscesso epidural: o contraste delimita a extensão.
Doenças inflamatórias e desmielinizantes da medula (mielites, esclerose múltipla).
Avaliação de malformações vasculares da medula.
Caracterização de lesões duvidosas vistas no exame sem contraste.
Quando não é necessário
Dor lombar ou cervical comum, hérnia de disco, estenose, espondilolistese, escoliose, primeira investigação de dor irradiada sem sinais de alerta. Pedir contraste "para ver melhor" nesses casos não acrescenta informação.
Segurança
O gadolínio é bem tolerado; reações alérgicas são raras. Em pessoas com insuficiência renal grave, alguns agentes antigos foram associados a uma complicação rara (fibrose sistêmica nefrogênica); por isso a função renal é verificada e usam-se agentes mais seguros. Há depósito de traços de gadolínio no cérebro após múltiplas doses, sem efeito clínico conhecido até o momento, o que reforça o uso apenas com indicação. Na gravidez, evita-se, salvo necessidade clara. Amamentação não precisa ser interrompida.
Como é feito
Igual à ressonância comum, com a injeção do contraste por acesso venoso no meio do exame; algumas sequências são repetidas após a injeção. Acrescenta 10 a 15 minutos.
Quando procurar o especialista
Se você fez uma ressonância sem contraste após cirurgia e a dor persiste, o especialista pode solicitar o exame com contraste para definir a causa. Se há sinais de alerta (câncer, febre, perda de peso, déficit progressivo), o exame com contraste costuma ser pedido de início.
Perguntas frequentes
Contraste de ressonância é o mesmo da tomografia? Não. O da ressonância é gadolínio; o da tomografia é iodado. Alergia a um não implica alergia ao outro.
Preciso de jejum? Em geral, não; siga a orientação do serviço.
Posso fazer com parafusos? Sim; o contraste não interage com implantes.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Referências
- Ross JS, et al. Association between peridural scar and recurrent radicular pain after lumbar discectomy: magnetic resonance evaluation. Neurosurgery. 1996;38(4):855-861. PMID: 8692415. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/8692415/
- Chou R, et al. Diagnostic imaging for low back pain: advice for high-value health care from the American College of Physicians. Ann Intern Med. 2011;154(3):181-189. PMID: 21282698. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21282698/
- Gulani V, Calamante F, Shellock FG, et al. Gadolinium deposition in the brain: summary of evidence and recommendations. Lancet Neurol. 2017;16(7):564-570. PMID: 28653648. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28653648/

