A maioria das fraturas de coluna — por osteoporose ou por trauma leve — é tratada sem cirurgia. A cirurgia é indicada quando a fratura é instável, quando comprime a medula ou os nervos, ou quando a dor não permite mobilizar o paciente. As técnicas vão da injeção de cimento à reconstrução com parafusos, e a escolha depende do tipo de fratura, da causa e do paciente.
Classificando a fratura
O que define a conduta é a estabilidade e o comprometimento neurológico. Fraturas por compressão simples (achatamento da parte anterior do corpo vertebral, com a parte posterior íntegra) são estáveis. Fraturas por explosão (o corpo se fragmenta, com fragmentos para o canal), fraturas com lesão ligamentar posterior (flexão-distração) e fraturas-luxações são instáveis. Escalas como a TLICS orientam a decisão.
Tratamento sem cirurgia
Fraturas estáveis sem déficit: controle da dor, mobilização precoce, colete por semanas em casos selecionados, fisioterapia, e, quando por osteoporose, tratamento da osteoporose. A dor melhora em 6 a 12 semanas.
Vertebroplastia e cifoplastia
Para fraturas osteoporóticas recentes e muito dolorosas que não melhoram com tratamento conservador, ou que impedem a mobilização: injeção de cimento no corpo vertebral, por agulha, com alívio rápido em pacientes bem selecionados (o ensaio VAPOUR mostrou benefício em fraturas com menos de 6 semanas e dor intensa). Também para fraturas por tumor.
Cirurgia com instrumentação
Indicada em fraturas instáveis, com déficit neurológico, com deformidade progressiva (cifose) ou com dor incapacitante refratária em fratura que não consolida. - Fixação posterior com parafusos pediculares acima e abaixo da fratura, frequentemente por técnica percutânea (minimamente invasiva) em fraturas sem déficit; pode ser combinada com cifoplastia ou com enxerto. - Descompressão (laminectomia ou via anterior) quando há fragmentos comprimindo a medula ou os nervos. - Corpectomia e reconstrução anterior em fraturas por explosão com destruição do corpo vertebral e compressão. - Em coluna cervical: fixações anteriores, posteriores ou combinadas conforme o tipo de lesão; halo-colete em casos selecionados.
Tempo importa
Fratura com déficit neurológico: descompressão e estabilização precoces (idealmente em 24 horas) melhoram a recuperação. Fraturas estáveis podem ser operadas eletivamente se a dor ou a deformidade justificarem.
Recuperação
Percutânea: internação de 1 a 3 dias, mobilização imediata; cirurgias abertas com descompressão: 3 a 7 dias; consolidação em 3 a 6 meses; fisioterapia; retirada dos implantes em fraturas de jovens, em alguns casos, após a consolidação.
Quando procurar o especialista
Dor súbita na coluna após trauma, ou em idoso com osteoporose mesmo sem trauma: avaliação com radiografia e, se necessário, tomografia ou ressonância. Fraqueza, formigamento ou alteração urinária após trauma: emergência com imobilização.
Perguntas frequentes
Fratura de coluna deixa paralítico? Só se houver lesão da medula; a maioria das fraturas não a envolve.
Colete substitui a cirurgia? Em fraturas estáveis, sim; em instáveis, não.
Vou precisar tirar os parafusos? Em geral não; em jovens com fixação temporária de fraturas sem fusão, a retirada pode ser considerada.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Referências
- Vaccaro AR, Lehman RA Jr, Hurlbert RJ, et al. A new classification of thoracolumbar injuries: the importance of injury morphology, the integrity of the posterior ligamentous complex, and neurologic status. Spine. 2005;30(20):2325-2333. PMID: 16227897. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16227897/
- Clark W, et al. Safety and efficacy of vertebroplasty for acute painful osteoporotic fractures (VAPOUR). Lancet. 2016;388(10052):1408-1416. PMID: 27544377. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27544377/
- Fehlings MG, et al. Early versus delayed decompression for traumatic cervical spinal cord injury: results of the STASCIS. PLoS One. 2012;7(2):e32037. PMID: 22384132. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22384132/

