A maioria das espondilolisteses de baixo grau é tratada sem cirurgia. Quando a cirurgia entra — por dor incapacitante, compressão de nervos ou instabilidade —, a decisão central é entre descompressão isolada e descompressão com artrodese, e a resposta depende de um dado objetivo: se a vértebra se move.

Indicações

  • Dor lombar ou nas pernas incapacitante após 3 a 6 meses de tratamento conservador bem feito.
  • Déficit neurológico progressivo ou sintomas de estenose limitantes.
  • Instabilidade documentada em radiografias dinâmicas (movimento entre flexão e extensão).
  • Escorregamento de alto grau (III e IV) ou progressão documentada.
  • Cauda equina (rara, emergência).

Descompressão isolada ou com artrodese?

Dois ensaios randomizados publicados juntos em 2016 deram respostas complementares: em espondilolistese degenerativa, adicionar artrodese à descompressão melhorou os resultados e reduziu reoperações (Ghogawala); em estenose com listese de baixo grau estável, a fusão não trouxe benefício (Försth). A leitura prática: com instabilidade, funde-se; sem, descomprime-se. Na listese ístmica (por espondilólise), a fusão é geralmente indicada, porque o defeito ósseo mantém a instabilidade.

Técnicas

  • Descompressão isolada (laminotomia bilateral, endoscópica ou microcirúrgica) preservando as facetas: para estenose com listese estável.
  • Artrodese posterolateral com parafusos pediculares e enxerto.
  • Artrodese intersomática (TLIF, PLIF, ALIF, lateral) com cage: restaura a altura do disco e abre os forames; a técnica mais usada em listese de baixo grau com instabilidade.
  • Redução parcial ou completa do escorregamento: discutida em graus altos; na maioria dos baixos, funde-se na posição (in situ).
  • Técnicas minimamente invasivas (MIS-TLIF, parafusos percutâneos) reduzem dano muscular.
  • Em adolescentes com listese de alto grau: cirurgia de deformidade, em centros especializados.

Recuperação

Descompressão isolada: 1 a 2 dias de internação, retorno a atividades leves em 2 a 4 semanas. Artrodese: 2 a 4 dias, caminhada no primeiro dia, escritório em 4 a 6 semanas, carga em 3 a 6 meses, consolidação em 6 a 12 meses; não fumar é essencial.

Resultados e riscos

Alívio da dor nas pernas na grande maioria; da dor lombar, em proporção alta quando há instabilidade fundida. Riscos: os da artrodese (infecção, pseudoartrose 5% a 15%, falha de implante, doença adjacente ao longo dos anos) e os da descompressão (lesão dural, hematoma).

Quando procurar o especialista

Espondilolistese com dor persistente, dor nas pernas ao caminhar ou sensação de falseio: avaliação com radiografias dinâmicas. Se recebeu indicação de artrodese, pergunte se há instabilidade documentada; se não há, discuta a descompressão isolada e busque segunda opinião.

Perguntas frequentes

A vértebra volta ao lugar? Em graus baixos, funde-se na posição atual; a redução não é necessária para o bom resultado.

Posso operar só a estenose e deixar a listese? Se a listese é estável, sim — é o que o ensaio sueco sustenta.

Depois da artrodese posso ter listese em outro nível? A doença do segmento adjacente ocorre em uma parcela ao longo de anos.


Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Referências

  1. Ghogawala Z, et al. Laminectomy plus fusion versus laminectomy alone for lumbar spondylolisthesis. N Engl J Med. 2016;374(15):1424-1434. PMID: 27074067. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27074067/
  2. Försth P, et al. A randomized, controlled trial of fusion surgery for lumbar spinal stenosis. N Engl J Med. 2016;374(15):1413-1423. PMID: 27074066. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27074066/
  3. Lurie J, Tomkins-Lane C. Management of lumbar spinal stenosis. BMJ. 2016;352:h6234. PMID: 26727925. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26727925/