Quando a estenose lombar limita a caminhada apesar do tratamento conservador, a cirurgia de descompressão é o tratamento com melhor evidência para devolver a capacidade de andar. Saber como ela é feita — e o que a diferencia da artrodese — ajuda a entender a proposta e a recuperação.
O objetivo
Ampliar o espaço para os nervos, removendo o que os comprime: ligamento amarelo espessado, parte das facetas hipertrofiadas, osteófitos e, se houver, abaulamento discal. Preservar o máximo de estrutura para não criar instabilidade.
As técnicas
Laminectomia. Remoção da lâmina e da apófise espinhosa do nível afetado, com foraminotomia bilateral. Técnica clássica, ampla; hoje reservada a estenoses extensas.
Laminotomia bilateral (descompressão com preservação da linha média). Remoção parcial das lâminas de cada lado, preservando a apófise espinhosa e os ligamentos centrais; mesma descompressão com mais estabilidade.
Descompressão por acesso unilateral (over-the-top). Por um lado, através de tubo ou endoscópio (UBE ou uniportal), o cirurgião descomprime os dois lados passando por baixo da apófise espinhosa; mínimo dano muscular; alta em 24 horas.
Laminectomia com artrodese. Apenas quando há instabilidade documentada (espondilolistese com movimento), escoliose degenerativa ou quando a descompressão exige remover muita faceta. O ensaio sueco mostrou que, na maioria das estenoses, adicionar fusão não trouxe benefício.
Dispositivos interespinhosos. Espaçadores entre as apófises espinhosas que mantêm a flexão; evidência limitada e maior taxa de reoperação; uso restrito.
Passo a passo (descompressão típica)
- Anestesia geral (raquidiana em casos selecionados); paciente de bruços.
- Localização do nível por radioscopia ou navegação.
- Incisão de 2 a 5 cm (menor nas técnicas por tubo/endoscopia).
- Afastamento ou dilatação da musculatura.
- Remoção de osso e ligamento sob microscópio ou endoscópio até que as raízes fiquem livres, confirmada pela mobilidade das raízes e do saco dural.
- Hemostasia, fechamento por planos; dreno opcional. Duração: 1 a 3 horas conforme o número de níveis.
Recuperação
Caminhar no mesmo dia ou no seguinte; alta em 1 a 3 dias (24 horas nas minimamente invasivas); dor nas pernas ao caminhar melhora rapidamente; dor lombar da cirurgia por 1 a 3 semanas; escritório em 2 a 4 semanas; dirigir em 2 a 3; fisioterapia a partir da segunda ou terceira semana; impacto após 8 a 12 semanas.
Resultados e riscos
Melhora importante da capacidade de caminhar e da dor nas pernas na maioria, mantida por anos (SPORT). Riscos: lesão dural (2% a 5%), infecção (1% a 3%), hematoma, instabilidade tardia (rara com técnicas preservadoras), reestenose ao longo dos anos em uma minoria.
Quando procurar o especialista
Estenose com distância de caminhada decrescente, formigamento ou fraqueza nas pernas apesar do tratamento conservador: avaliação para discutir a descompressão — e, se houver proposta de artrodese, a documentação de instabilidade.
Perguntas frequentes
Vou ter parafusos? Só com instabilidade; a maioria das estenoses é tratada sem.
A descompressão enfraquece a coluna? Não, quando preserva facetas e ligamentos centrais.
Posso operar em dois níveis de uma vez? Sim; a extensão depende dos níveis sintomáticos.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Referências
- Försth P, et al. A randomized, controlled trial of fusion surgery for lumbar spinal stenosis. N Engl J Med. 2016;374(15):1413-1423. PMID: 27074066. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27074066/
- Weinstein JN, et al. Surgical versus nonsurgical therapy for lumbar spinal stenosis. N Engl J Med. 2008;358(8):794-810. PMID: 18287602. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18287602/
- Lurie J, Tomkins-Lane C. Management of lumbar spinal stenosis. BMJ. 2016;352:h6234. PMID: 26727925. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26727925/

