A cirurgia de escoliose é uma das maiores da coluna e uma das que mais mudaram nas últimas décadas: fixação com parafusos pediculares, correção tridimensional, monitorização neurofisiológica e protocolos de recuperação rápida transformaram uma cirurgia temida em um procedimento com resultados previsíveis — sobretudo em adolescentes. Em adultos, os riscos são maiores e a decisão mais criteriosa.
Adolescentes (escoliose idiopática)
Indicação: curvas acima de 45 a 50 graus, ou progressivas apesar do colete. Técnica: artrodese posterior com parafusos e hastes, correção de 50% a 70% da curva; em curvas selecionadas, técnicas de modulação do crescimento (vertebral body tethering) que preservam movimento, ainda com evidência em construção. Duração: 4 a 6 horas. Internação: 3 a 5 dias com protocolos modernos. Recuperação: caminhar no primeiro dia; escola em 3 a 4 semanas; atividades leves em 6 semanas; esporte sem contato em 3 a 6 meses; contato em 6 a 12 meses conforme o cirurgião. Riscos: infecção (1% a 3%), sangramento com necessidade de transfusão, complicações de implantes, pseudoartrose (rara em jovens), déficit neurológico (abaixo de 1% com monitorização), dor residual. Mortalidade próxima de zero em centros experientes. Resultados: alta satisfação; curva estável por toda a vida; mobilidade preservada nos segmentos não fundidos; a maioria pratica esportes.
Adultos (deformidade do adulto)
Indicação: dor incapacitante, estenose sintomática, desequilíbrio progressivo, progressão documentada — não o número isolado. Técnica: varia de descompressão isolada a artrodeses longas com osteotomias para corrigir desequilíbrio; frequentemente combina vias anterior/lateral e posterior. Riscos: significativamente maiores — complicações em 20% a 40% em séries de cirurgias extensas (infecção, pseudoartrose, falha de implante, cifose juncional proximal, complicações clínicas), com taxa de reoperação relevante. Idade, osteoporose, comorbidades e extensão da cirurgia pesam. Resultados: melhora significativa de dor, função e qualidade de vida na maioria dos bem selecionados, sobretudo com correção do equilíbrio sagital; a seleção e o centro fazem a diferença.
Como reduzir riscos
Centro com experiência em deformidade e volume; monitorização neurofisiológica; planejamento com radiografias de corpo inteiro; otimização de osteoporose, nutrição e tabagismo; protocolos de recuperação; em adultos, avaliação de fragilidade e discussão franca de expectativas; segunda opinião.
Quando procurar o especialista
Adolescente com curva acima de 45 graus ou progressiva; adulto com escoliose e dor incapacitante, estenose ou desequilíbrio: avaliação com especialista em deformidade da coluna — e, para adultos, com tempo para segunda opinião.
Perguntas frequentes
A cirurgia deixa a coluna reta? Corrige parcialmente e estabiliza; o objetivo é equilíbrio e função.
Adolescente vai poder fazer esporte? Sim, na grande maioria, após a consolidação.
Idoso pode operar escoliose? Sim, com seleção rigorosa; frequentemente cirurgias menores (descompressão) resolvem o sintoma principal.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Referências
- Diebo BG, et al. Adult spinal deformity. Lancet. 2019;394(10193):160-172. PMID: 31305254. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31305254/
- Cheng JC, et al. Adolescent idiopathic scoliosis. Nat Rev Dis Primers. 2015;1:15030. PMID: 27188385. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27188385/
- Smith JS, Klineberg E, Lafage V, et al. Prospective multicenter assessment of perioperative and minimum 2-year postoperative complication rates associated with adult spinal deformity surgery. J Neurosurg Spine. 2016;25(1):1-14. PMID: 26918574. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26918574/

