A ressonância mostra um "cisto" ou "cavidade" dentro da medula espinhal — a siringomielia (ou siringe). É uma condição pouco conhecida, quase sempre secundária a algo que perturba a circulação do líquor, e que pode evoluir lentamente por anos causando sintomas peculiares. O tratamento é dirigido à causa, e o diagnóstico precoce preserva função.

O que é

Uma cavidade alongada, cheia de líquido, no interior da medula, geralmente na região cervical ou torácica. Ao se expandir, comprime as fibras nervosas de dentro para fora, afetando primeiro as que cruzam o centro da medula — as que levam sensibilidade à dor e à temperatura.

Causas

  • Malformação de Chiari tipo I (a causa mais comum): a descida das tonsilas cerebelares obstrui o fluxo de líquor na junção crânio-cervical.
  • Sequela de trauma raquimedular, meses a anos após a lesão.
  • Tumores da medula.
  • Aracnoidite (inflamação e aderências das membranas) após infecção, hemorragia ou cirurgia.
  • Idiopática (sem causa identificada) em uma minoria.

Sintomas

Evoluem de forma lenta e progressiva: - Perda de sensibilidade à dor e à temperatura nos braços, ombros e tronco, em distribuição "em capa" — a pessoa se queima ou se corta sem perceber. - Dor no pescoço, nos ombros ou nos braços, muitas vezes em queimação. - Fraqueza e atrofia das mãos e dos braços. - Rigidez nas pernas, alteração da marcha (em cavidades extensas). - Escoliose em crianças e adolescentes — às vezes o primeiro sinal. - Alterações de sudorese, e, em casos avançados, urinárias.

Diagnóstico

Ressonância de toda a coluna e da junção crânio-cervical, que mostra a cavidade e, em geral, a causa. Estudos de fluxo de líquor complementam em casos de Chiari.

Tratamento

Dirigido à causa: - Chiari: descompressão da fossa posterior, que restabelece o fluxo de líquor; a cavidade tende a reduzir nos meses seguintes. - Tumor: remoção. - Pós-traumática e aracnoidite: liberação de aderências, reconstrução do espaço de líquor; em casos selecionados, derivação da cavidade (shunt siringo-subaracnóideo ou siringo-peritoneal). - Siringes pequenas, estáveis e sem sintomas: acompanhamento clínico e por imagem.

O objetivo da cirurgia é interromper a progressão; sintomas já estabelecidos, especialmente perda de sensibilidade e atrofia, podem não regredir por completo. Daí a importância de tratar antes de déficits fixos.

Cuidados no dia a dia

Proteger as mãos de calor e objetos cortantes quando há perda de sensibilidade; evitar manobras de Valsalva intensas e esportes de impacto na cabeça e no pescoço até avaliação; fisioterapia para manter força e mobilidade.

Quando procurar o especialista

Agende avaliação com neurocirurgião se a ressonância mostrou siringomielia, se você tem perda de sensibilidade a temperatura nas mãos, queimaduras sem perceber, fraqueza ou atrofia nas mãos, ou escoliose em criança com sintomas neurológicos.

Perguntas frequentes

Siringomielia é progressiva sempre? Não. Algumas permanecem estáveis por anos; outras evoluem. O acompanhamento define.

A cavidade desaparece após a cirurgia? Frequentemente diminui ou colapsa; nem sempre desaparece na imagem, o que não é problema se os sintomas estão estáveis.

Posso engravidar? Sim, com acompanhamento; a via de parto e a anestesia são discutidas com a equipe.


Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Referências

  1. Ciaramitaro P, Massimi L, Bertuccio A, et al. Diagnosis and treatment of Chiari malformation and syringomyelia in adults: international consensus document. Neurol Sci. 2022;43(2):1327-1342. PMID: 34129128. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34129128/
  2. Klekamp J. Treatment of syringomyelia related to nontraumatic arachnoid pathologies of the spinal canal. Neurosurgery. 2013;72(3):376-389. PMID: 23208064. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23208064/