A infecção é a complicação mais temida do pós-operatório e uma das mais tratáveis quando identificada cedo. Ocorre em 1% a 3% das cirurgias sem implante e 2% a 5% das artrodeses, geralmente nas primeiras 2 a 4 semanas — mas infecções profundas podem se manifestar meses depois. Saber os sinais e agir no mesmo dia é o que evita reoperações e complicações.

Infecção superficial (pele e subcutâneo)

  • Vermelhidão que aumenta ao redor da incisão (a vermelhidão leve e estável das bordas nos primeiros dias é normal).
  • Calor local, inchaço, endurecimento progressivo.
  • Secreção amarelada, espessa ou com odor (secreção clara e escassa nos primeiros dias é esperada).
  • Dor local que piora em vez de melhorar.
  • Abertura dos pontos.
  • Febre baixa. Tratamento: antibiótico e cuidados com a ferida; às vezes, limpeza.

Infecção profunda (fáscia, músculo, implantes, disco)

  • Febre (pode ser baixa ou ausente em idosos e diabéticos).
  • Dor lombar ou cervical intensa e progressiva, diferente da dor cirúrgica, pior à noite e ao movimento.
  • Mal-estar, calafrios, perda de apetite.
  • Secreção persistente ou saída de líquido pela ferida.
  • Exames de sangue com marcadores de inflamação elevados (PCR, VHS).
  • Na espondilodiscite (infecção do disco), a dor pode surgir semanas após uma cirurgia com ferida aparentemente normal. Tratamento: antibiótico venoso prolongado, frequentemente limpeza cirúrgica; implantes geralmente mantidos se a fusão não consolidou, e a decisão é individual.

O que não é infecção

Dormência ao redor da cicatriz, coceira, pequeno hematoma, endurecimento firme sem calor ou vermelhidão progressiva, dor que diminui dia a dia.

Fatores de risco

Diabetes, obesidade, tabagismo, desnutrição, cirurgia longa, reoperação, incontinência, infecção em outro local (urinária, dentária), imunossupressão.

O que fazer diante de sinais

Contate o cirurgião no mesmo dia — não espere a consulta agendada. Fotografe a ferida e envie. Não use antibiótico por conta própria (mascara e dificulta a identificação do germe). Não aplique pomadas ou produtos caseiros.

Prevenção

Controle da glicemia, cessação do tabagismo, banho antisséptico pré-operatório, antibiótico profilático no centro cirúrgico, curativo adequado, mãos limpas ao tocar a região, tratamento de infecções prévias, nutrição.

Quando procurar o especialista

Qualquer sinal de infecção superficial ou profunda: contato imediato com o cirurgião ou pronto-socorro do hospital onde operou. Infecção tratada na primeira semana costuma ser simples; tardia, exige mais.

Perguntas frequentes

Infecção significa retirar os parafusos? Nem sempre; em muitos casos os implantes são mantidos com limpeza e antibióticos.

Febre no primeiro dia é infecção? Febre baixa nas primeiras 48 horas é comum (resposta à cirurgia); febre após o terceiro dia ou com sinais locais merece avaliação.

Quanto tempo de antibiótico? Superficial: dias a 2 semanas; profunda: 6 semanas ou mais.


Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Referências

  1. Anderson PA, et al. Prevention of surgical site infection in spine surgery. Neurosurgery. 2017;80(3S):S114-S123. PMID: 28350942. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28350942/
  2. Berbari EF, Kanj SS, Kowalski TJ, et al. 2015 Infectious Diseases Society of America (IDSA) clinical practice guidelines for the diagnosis and treatment of native vertebral osteomyelitis in adults. Clin Infect Dis. 2015;61(6):e26-e46. PMID: 26229122. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26229122/
  3. Debono B, et al. Consensus statement for perioperative care in lumbar spinal fusion: ERAS Society recommendations. Spine J. 2021;21(5):729-752. PMID: 33444664. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33444664/