Quando a proposta cirúrgica inclui "instrumentação", vem uma lista de materiais: parafusos pediculares, hastes, cages, placas, enxerto. Cada peça tem uma função específica, e entender o conjunto ajuda a compreender a cirurgia, a conversar com o plano de saúde sobre materiais e a saber o que fica no corpo para sempre.

O princípio

A artrodese depende de o osso crescer e fundir duas vértebras. Os implantes não fazem a fusão: eles imobilizam o segmento enquanto o osso consolida e restauram altura e alinhamento. Depois da fusão, ficam inertes.

Parafusos pediculares

Parafusos de titânio (ou ligas) inseridos no pedículo — a "ponte" óssea entre a parte de trás da vértebra e o corpo. São os pontos de fixação mais firmes da coluna. Cada nível fundido recebe dois parafusos (um de cada lado). Diâmetros de 4 a 8 mm, comprimentos de 30 a 55 mm, escolhidos pela anatomia. Versões: monoaxiais, poliaxiais (cabeça móvel, que facilita a conexão à haste), canulados (para técnica percutânea), com cimento (para osso osteoporótico).

Hastes

Barras de titânio ou cromo-cobalto que conectam as cabeças dos parafusos de cada lado, moldadas pelo cirurgião para o alinhamento desejado (lordose, correção de curva). Em deformidades, são as hastes que "puxam" a coluna para a posição corrigida.

Cages (espaçadores intersomáticos)

Dispositivos em forma de caixa ou cunha colocados no espaço do disco removido, preenchidos com enxerto. Restauram a altura, abrem os forames e dão superfície para a fusão. Materiais: PEEK (polímero radiotransparente, que permite ver a fusão nas imagens), titânio (poroso ou impresso em 3D, que favorece integração), ou combinações. Formatos variam pela via (TLIF, ALIF, lateral); modelos expansíveis permitem inserção por acesso pequeno.

Placas

Usadas principalmente na coluna cervical anterior (ACDF): fixam o cage e as vértebras pela frente. Na lombar anterior (ALIF), placas ou parafusos integrados ao cage.

Enxerto ósseo

O componente biológico. Autólogo (do próprio paciente — osso retirado da descompressão ou da crista ilíaca), alógeno (banco de ossos), substitutos (cerâmicas, matriz desmineralizada) e proteínas indutoras (BMP) em casos selecionados. A qualidade e a quantidade do enxerto influenciam a taxa de fusão.

Ganchos, cabos e outros

Usados em situações específicas: deformidades pediátricas, fixação occipito-cervical, fraturas.

Perguntas ao cirurgião e ao plano

  • Quantos níveis e quantos parafusos?
  • Qual cage e qual material?
  • Qual enxerto?
  • Há alternativa nacional equivalente aos materiais propostos?
  • O que está incluído no orçamento? Materiais nacionais certificados pela Anvisa têm desempenho equivalente a importados na maioria das aplicações; a escolha deve ser técnica, não comercial.

O que fica e o que sai

Tudo fica, em regra. Retirada só por infecção, soltura, quebra ou proeminência dolorosa em pessoas magras. Os implantes são compatíveis com ressonância e não têm validade.

Quando procurar o especialista

Se você recebeu proposta de artrodese com lista de materiais, use a consulta para entender a função de cada um e a justificativa do número de níveis. Se o plano questionou materiais, um relatório técnico do cirurgião costuma resolver.

Perguntas frequentes

Parafusos são de aço? Hoje, de titânio ou ligas, compatíveis com ressonância.

Quantos parafusos é "muito"? Depende da cirurgia; cada nível fundido usa dois. A justificativa está no número de níveis.

O cage pode "sair do lugar"? Migração é rara com fixação adequada; é uma das razões da monitorização com imagem no primeiro ano.


Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Referências

  1. Mobbs RJ, et al. Lumbar interbody fusion: techniques, indications and comparison of interbody fusion options. J Spine Surg. 2015;1(1):2-18. PMID: 27683674. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27683674/
  2. Chun DS, Baker KC, Hsu WK. Lumbar pseudarthrosis: a review of current diagnosis and treatment. Neurosurg Focus. 2015;39(4):E10. PMID: 26424334. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26424334/
  3. Försth P, et al. A randomized, controlled trial of fusion surgery for lumbar spinal stenosis. N Engl J Med. 2016;374(15):1413-1423. PMID: 27074066. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27074066/