Descobrir um meningioma costuma acontecer por acaso: uma ressonância feita por dor de cabeça, tontura ou após uma queda mostra uma lesão bem delimitada junto às meninges. O nome "tumor" assusta, mas o meningioma é, na grande maioria dos casos, benigno, de crescimento lento e com excelentes resultados de tratamento — quando o tratamento é necessário.

O que é

Um tumor que se origina das células da aracnoide, uma das membranas (meninges) que envolvem o cérebro e a medula. Cresce a partir da membrana e comprime o cérebro de fora para dentro, sem invadi-lo na maioria dos casos. É o tumor primário do sistema nervoso central mais frequente em adultos, mais comum em mulheres e após os 50 anos.

Classificação

A Organização Mundial da Saúde classifica os meningiomas em três graus: - Grau 1 (cerca de 80%): benignos, crescimento lento, baixa taxa de recorrência após remoção completa. - Grau 2 (atípicos): crescimento mais rápido, maior chance de recorrência. - Grau 3 (anaplásicos/malignos): raros, agressivos.

Fatores de risco

Radiação prévia na cabeça (o fator mais estabelecido), sexo feminino e hormônios (alguns meningiomas têm receptores de progesterona; uso prolongado de certos progestágenos foi associado a maior risco), neurofibromatose tipo 2, obesidade.

Sintomas

Muitos meningiomas não causam sintomas e são achados incidentais. Quando causam, dependem da localização: dor de cabeça progressiva, convulsões, fraqueza ou dormência em um lado, alteração visual, alteração do olfato, mudanças de comportamento ou memória, alteração da audição ou do equilíbrio. Como crescem devagar, os sintomas costumam evoluir ao longo de meses ou anos.

Diagnóstico

A ressonância com contraste mostra a lesão típica, aderida às meninges, com captação intensa e homogênea do contraste. A tomografia pode mostrar calcificações e alterações do osso adjacente. O diagnóstico definitivo do grau só é possível pela análise do tecido, mas o aspecto na imagem é suficiente para definir a conduta na maioria dos casos.

Tratamento: as três opções

Observação. Meningiomas pequenos, assintomáticos, sem edema ao redor, especialmente em pessoas idosas ou com comorbidades, são acompanhados com ressonâncias periódicas. Muitos não crescem ou crescem muito lentamente.

Cirurgia. Indicada em meningiomas sintomáticos, em crescimento, grandes ou com edema. O objetivo é a remoção completa, incluindo a inserção nas meninges, o que reduz a recorrência. A cirurgia é feita por craniotomia com técnicas de navegação e monitorização; em localizações de base do crânio, próximas a nervos e vasos, a remoção pode ser parcial de forma intencional para preservar função, com complemento por radiocirurgia.

Radioterapia / radiocirurgia. Para meningiomas em localizações de difícil acesso, resíduos após cirurgia, recorrências, meningiomas de grau 2 e 3, e em pacientes que não podem operar. A radiocirurgia (Gamma Knife ou similar) trata lesões pequenas em sessão única com alta precisão.

Resultados

Após remoção completa de um meningioma grau 1, a taxa de recorrência em 10 anos é baixa. Meningiomas atípicos exigem acompanhamento mais próximo e, frequentemente, radioterapia complementar. O acompanhamento com imagem é mantido por anos, mesmo após cirurgia bem-sucedida.

Quando procurar o especialista

Se um exame mostrou meningioma, agende avaliação com neurocirurgião para definir entre observação, cirurgia ou radiocirurgia — a decisão depende de tamanho, localização, sintomas, idade e preferências. Procure atendimento sem demora se houver convulsão, fraqueza progressiva ou alteração visual.

Perguntas frequentes

Meningioma é câncer? Na grande maioria dos casos, não. Grau 1 é benigno; graus 2 e 3 são menos comuns.

Posso conviver com meningioma sem operar? Sim, se for pequeno e assintomático; o acompanhamento define se e quando intervir.

Gravidez e anticoncepcional interferem? Alguns meningiomas crescem na gravidez ou com certos progestágenos; discuta com neurocirurgião e ginecologista.


Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Referências

  1. Goldbrunner R, Stavrinou P, Jenkinson MD, et al. EANO guideline on the diagnosis and management of meningiomas. Neuro Oncol. 2021;23(11):1821-1834. PMID: 34181733. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34181733/
  2. Louis DN, et al. The 2021 WHO Classification of Tumors of the Central Nervous System: a summary. Neuro Oncol. 2021;23(8):1231-1251. PMID: 34185076. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34185076/
  3. Roux A, Nicolle G, Le Ru M, et al. Use of progestogens and the risk of intracranial meningioma: national case-control study. BMJ. 2024;384:e078078. PMID: 38537944. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38537944/