No AVC, cada minuto conta: cerca de 2 milhões de neurônios morrem a cada minuto em que uma artéria cerebral permanece obstruída. Reconhecer os sinais e chamar ajuda imediatamente é a diferença entre recuperação e sequela permanente — e é algo que qualquer pessoa pode aprender em dois minutos.
O que é
O acidente vascular cerebral ocorre quando o fluxo de sangue para uma região do cérebro é interrompido. Há dois tipos: - Isquêmico (85%): uma artéria é obstruída por coágulo ou placa. - Hemorrágico (15%): uma artéria se rompe e o sangue extravasa dentro do cérebro ou ao redor dele.
Os sinais — memorize o SAMU
A sigla ajuda a lembrar: - S — Sorriso: peça para sorrir. Um lado do rosto fica caído? - A — Abraço / braços: peça para levantar os dois braços. Um deles cai ou não sobe? - M — Música / mensagem: peça para repetir uma frase. A fala está enrolada, confusa ou ausente? - U — Urgência: se qualquer um estiver presente, ligue 192 imediatamente e anote a hora em que os sintomas começaram.
Outros sinais: perda súbita de visão em um olho ou de um lado, dormência súbita em um lado do corpo, tontura intensa com desequilíbrio e dificuldade para caminhar, dor de cabeça súbita e muito forte, confusão mental súbita.
O que fazer
- Ligue 192 (SAMU). Não leve o paciente por conta própria se a ambulância estiver disponível: a equipe já inicia o atendimento e direciona ao hospital certo.
- Anote a hora do início dos sintomas — define os tratamentos possíveis.
- Não dê comida, água ou medicamentos (risco de engasgo; aspirina pode piorar um AVC hemorrágico).
- Mantenha a pessoa deitada, com a cabeça levemente elevada, em segurança.
- Mesmo que os sintomas passem em minutos (ataque isquêmico transitório), procure atendimento: é um sinal de alto risco de AVC nas horas e dias seguintes.
Tratamento do AVC isquêmico: a janela de tempo
- Trombólise (medicamento que dissolve o coágulo, pela veia): até 4,5 horas do início.
- Trombectomia mecânica (retirada do coágulo por cateter): até 6 horas para a maioria, e até 24 horas em pacientes selecionados por imagem. Transformou o prognóstico de AVCs graves por oclusão de grandes artérias. Ambos exigem hospital com equipe e protocolo de AVC.
Onde a neurocirurgia entra
- AVC hemorrágico: hematomas grandes ou em localizações que comprimem estruturas vitais podem exigir drenagem cirúrgica; aneurismas rotos precisam de clipagem ou embolização; malformações vasculares podem ser tratadas cirurgicamente.
- Hidrocefalia após hemorragia: derivação do líquido.
- AVC isquêmico maligno: em infartos extensos com inchaço que comprime o cérebro, a craniectomia descompressiva (retirada temporária de parte do osso do crânio) reduz a mortalidade em pacientes selecionados, sobretudo mais jovens.
- Prevenção: em estenose importante da artéria carótida, a endarterectomia (limpeza da artéria) ou o stent reduzem o risco de novo AVC.
Prevenção: os fatores que você controla
Hipertensão (o principal), diabetes, colesterol, tabagismo, sedentarismo, obesidade, consumo excessivo de álcool, fibrilação atrial não tratada (exige anticoagulação), apneia do sono. Controlar esses fatores previne a maioria dos AVCs.
Reabilitação
Começa no hospital e continua por meses: fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional. O cérebro tem capacidade de reorganização (neuroplasticidade), maior nos primeiros meses — daí a importância de iniciar cedo e manter.
Quando procurar o especialista
Qualquer sinal de AVC é emergência: 192. Após um AVC, o acompanhamento com neurologista organiza a prevenção secundária; a neurocirurgia é acionada em hemorragias, aneurismas, malformações, hidrocefalia e estenose carotídea com indicação cirúrgica.
Perguntas frequentes
AVC acontece em jovens? Sim, embora seja menos comum. Causas incluem dissecção arterial, malformações, cardiopatias e uso de drogas.
Dor de cabeça forte é AVC? Dor súbita e explosiva pode ser hemorragia. Dor de cabeça habitual, sem outros sinais, geralmente não.
Quem teve AVC pode ter outro? O risco é maior; a prevenção secundária (medicação, controle de fatores) reduz muito esse risco.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Referências
- Powers WJ, Rabinstein AA, Ackerson T, et al. Guidelines for the early management of patients with acute ischemic stroke: 2019 update. Stroke. 2019;50(12):e344-e418. PMID: 31662037. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31662037/
- Vahedi K, Hofmeijer J, Juettler E, et al. Early decompressive surgery in malignant infarction of the middle cerebral artery: a pooled analysis of three randomised controlled trials. Lancet Neurol. 2007;6(3):215-222. PMID: 17303527. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17303527/
- Goyal M, Menon BK, van Zwam WH, et al. Endovascular thrombectomy after large-vessel ischaemic stroke: a meta-analysis of individual patient data from five randomised trials. Lancet. 2016;387(10029):1723-1731. PMID: 26898852. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26898852/

