A MAV é um emaranhado de vasos em que artérias se conectam diretamente a veias, sem os capilares que normalmente reduzem a pressão. O resultado é um fluxo de alta pressão em veias frágeis — e um risco de sangramento cerebral que acompanha a pessoa por toda a vida. É congênita, rara (cerca de 1 em 1.000 pessoas) e descoberta muitas vezes entre os 20 e os 40 anos, por sangramento, convulsão ou por acaso.

Como se manifesta

  • Hemorragia (cerca de metade dos diagnósticos): dor de cabeça súbita e intensa, com sintomas neurológicos (fraqueza, alteração de fala, visual), náuseas, rebaixamento de consciência. Emergência.
  • Convulsões (um quarto a um terço).
  • Dor de cabeça crônica, déficits progressivos por "roubo" de fluxo, zumbido pulsátil.
  • Achado incidental.

O risco de sangramento

Em torno de 2% a 4% ao ano, maior no primeiro ano após um sangramento e em MAVs com características específicas (localização profunda, drenagem venosa profunda, aneurismas associados, MAVs pequenas). Ao longo de décadas, o risco acumulado é significativo — o que justifica a discussão de tratamento em pessoas jovens.

Diagnóstico e classificação

Tomografia na urgência; ressonância e angiorressonância; angiografia por cateter é o padrão para definir a anatomia (artérias nutridoras, nidus, veias de drenagem). A escala de Spetzler-Martin (graus I a V) combina tamanho, localização em área eloquente e tipo de drenagem para estimar o risco cirúrgico.

Opções de tratamento

Microcirurgia (ressecção). Remoção completa por craniotomia. Cura imediata e definitiva; preferida em MAVs de graus baixos (I e II) em localização acessível, sobretudo após sangramento. Riscos dependem do grau.

Radiocirurgia (Gamma Knife). Radiação focalizada que oclui a MAV progressivamente em 2 a 4 anos, com taxa de oclusão de 70% a 90% em MAVs pequenas. Sem incisão; o risco de sangramento persiste até a oclusão. Indicada em MAVs pequenas, profundas ou em áreas eloquentes.

Embolização. Por cateter, injeta-se material que oclui vasos da MAV. Raramente cura sozinha; usada para reduzir o tamanho antes da cirurgia ou da radiocirurgia, tratar aneurismas associados, ou em casos selecionados como tratamento único.

Tratamento combinado é frequente.

Observação. Um ensaio randomizado (ARUBA) em MAVs não rotas encontrou melhores resultados com tratamento clínico do que com intervenção nos primeiros anos, o que gerou debate; críticas ao desenho do estudo e o acompanhamento de longo prazo levaram a maioria dos centros a individualizar: tratar MAVs de baixo grau em jovens e observar MAVs de alto grau ou em pacientes mais velhos. Após sangramento, o tratamento é geralmente indicado.

Vida com MAV não tratada

Controle da pressão arterial, evitar anticoagulantes sem necessidade, tratamento de convulsões, acompanhamento com imagem. Gravidez exige planejamento com a equipe.

Quando procurar o especialista

Se um exame mostrou MAV, agende avaliação em centro com neurocirurgia vascular, neurorradiologia intervencionista e radiocirurgia — a decisão é multidisciplinar. Dor de cabeça súbita e intensa com sintomas neurológicos é emergência.

Perguntas frequentes

MAV é hereditária? Na grande maioria, não; formas hereditárias raras existem (telangiectasia hemorrágica hereditária).

Depois de tratada, a MAV pode voltar? Após ressecção completa confirmada por angiografia, a recorrência em adultos é rara; em crianças, o acompanhamento é mais longo.

Posso fazer exercício com MAV? Atividade moderada é permitida na maioria; esforços extremos e esportes de contato devem ser discutidos.


Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Referências

  1. Mohr JP, Parides MK, Stapf C, et al. Medical management with or without interventional therapy for unruptured brain arteriovenous malformations (ARUBA): a multicentre, non-blinded, randomised trial. Lancet. 2014;383(9917):614-621. PMID: 24268105. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24268105/
  2. Spetzler RF, Martin NA. A proposed grading system for arteriovenous malformations. J Neurosurg. 1986;65(4):476-483. PMID: 3760956. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/3760956/
  3. Derdeyn CP, Zipfel GJ, Albuquerque FC, et al. Management of brain arteriovenous malformations: a scientific statement for healthcare professionals from the AHA/ASA. Stroke. 2017;48(8):e200-e224. PMID: 28642352. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28642352/