Entre o tratamento conservador e a cirurgia existe uma etapa que muitos pacientes desconhecem: os procedimentos minimamente invasivos guiados por imagem, popularmente chamados de "infiltração" ou "bloqueio". Eles não curam a hérnia nem a artrose, mas podem reduzir de forma significativa a dor — o suficiente para a reabilitação avançar e, em muitos casos, evitar a cirurgia.
O que é a infiltração
É a injeção de medicamentos (em geral anestésico local e corticoide) diretamente na estrutura que está gerando a dor, sob orientação de radioscopia ou tomografia, para garantir precisão. É feita em ambiente hospitalar ou de clínica de procedimentos, com sedação leve ou apenas anestesia local, e o paciente vai para casa no mesmo dia.
Tipos mais comuns
Bloqueio radicular / infiltração foraminal. O medicamento é depositado ao lado da raiz nervosa comprimida por hérnia ou estenose foraminal. Indicado para dor irradiada (ciática ou dor no braço). Reduz a inflamação da raiz, que é a principal fonte da dor.
Infiltração epidural. O medicamento é injetado no espaço epidural, ao redor das raízes, por via interlaminar ou caudal. Usado em estenose de canal e hérnias que afetam mais de uma raiz.
Bloqueio facetário / ramo medial. Direcionado às pequenas articulações da parte de trás da coluna, fonte comum de dor lombar ou cervical localizada, que piora ao ficar em pé e ao se inclinar para trás. Também serve como teste diagnóstico: se alivia, confirma a origem facetária.
Radiofrequência (rizotomia). Quando o bloqueio facetário funciona mas a dor volta, a radiofrequência "desliga" por meses o pequeno nervo que leva a dor da articulação. O alívio pode durar 6 meses a 2 anos e o procedimento pode ser repetido.
Infiltração da sacroilíaca. Para dor na articulação entre o sacro e a pelve.
Quando é indicada
- Dor irradiada por hérnia ou estenose que não melhorou com 4 a 6 semanas de tratamento conservador.
- Dor intensa que impede a fisioterapia de progredir.
- Dor facetária ou sacroilíaca confirmada no exame físico.
- Como ponte para o paciente que quer evitar ou adiar cirurgia.
- Como teste diagnóstico para localizar a origem da dor.
Não é indicada quando há déficit neurológico progressivo ou síndrome da cauda equina — situações que exigem cirurgia.
O que esperar
O alívio da dor irradiada costuma começar em 2 a 7 dias e durar semanas a meses. Em torno de metade a dois terços dos pacientes com radiculopatia têm melhora significativa a curto prazo; o efeito sobre a necessidade de cirurgia a longo prazo é mais modesto. O procedimento ganha valor quando combinado com fisioterapia ativa durante a "janela" de alívio.
Riscos
São procedimentos seguros quando feitos com orientação por imagem. Efeitos possíveis: dor local por alguns dias, aumento transitório da glicose em diabéticos, rubor facial, insônia por alguns dias (efeito do corticoide). Complicações graves (infecção, sangramento, lesão nervosa) são raras. Recomenda-se limitar o número de infiltrações com corticoide por ano.
Quando procurar o especialista
Se sua dor irradiada persiste apesar do tratamento inicial, se a fisioterapia não progride pela dor, ou se você recebeu indicação cirúrgica e quer saber se um procedimento intermediário se aplica, agende uma avaliação. O especialista define o tipo de bloqueio adequado à estrutura que dói.
Perguntas frequentes
Infiltração vicia ou enfraquece a coluna? Não. O que se limita é a dose anual de corticoide, por efeitos sistêmicos.
Dói? Há desconforto breve na punção; com sedação leve, a maioria tolera bem.
Quantas vezes posso fazer? Em geral, até 3 a 4 infiltrações com corticoide por ano no mesmo local, a critério médico. A radiofrequência não tem essa limitação.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica.
Referências
- Manchikanti L, Knezevic NN, Navani A, et al. Epidural interventions in the management of chronic spinal pain: ASIPP comprehensive evidence-based guidelines. Pain Physician. 2021;24(S1):S27-S208. PMID: 33492918. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33492918/
- Kreiner DS, et al. An evidence-based clinical guideline for the diagnosis and treatment of lumbar disc herniation with radiculopathy. Spine J. 2014;14(1):180-191. PMID: 24239490. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24239490/
- Lurie J, Tomkins-Lane C. Management of lumbar spinal stenosis. BMJ. 2016;352:h6234. PMID: 26727925. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26727925/

