Nas semanas após uma cirurgia, a perna que incha, pesa ou dói na panturrilha não deve ser atribuída à coluna sem avaliação. A trombose venosa profunda — um coágulo nas veias da perna — é uma complicação possível de qualquer cirurgia com imobilização, e o risco de o coágulo migrar para o pulmão (embolia) torna o reconhecimento urgente. Distinguir trombose de dor radicular ou muscular é uma questão de sinais específicos e de exame.
Por que a cirurgia de coluna aumenta o risco
Imobilidade durante e após a cirurgia, posição de bruços prolongada, manipulação de vasos em acessos anteriores e laterais, desidratação, e fatores do paciente: idade, obesidade, tabagismo, câncer, trombose prévia, uso de anticoncepcional ou reposição hormonal, trombofilias. O risco é maior em artrodeses longas e menor em endoscopias e microdiscectomias com mobilização precoce.
Sinais de trombose venosa profunda
- Inchaço de uma perna (ou de uma perna mais que a outra), geralmente da panturrilha ou de toda a perna.
- Dor ou sensibilidade na panturrilha ou na coxa, pior ao caminhar ou ao apertar.
- Calor e vermelhidão local.
- Veias superficiais mais visíveis. Nem todos os sinais estão presentes; qualquer inchaço assimétrico novo após cirurgia merece avaliação no mesmo dia.
Sinais de embolia pulmonar — emergência
Falta de ar súbita, dor no peito que piora ao respirar, tosse (às vezes com sangue), batimentos acelerados, tontura ou desmaio. Procure pronto-socorro imediatamente.
O que não é trombose (mas parece)
- Dor radicular residual: segue o trajeto do nervo, com formigamento; sem inchaço nem calor.
- Dor muscular por retomada de atividade: nos dois lados, melhora com repouso.
- Inchaço leve em ambas as pernas por imobilidade e posição sentada: melhora ao elevar as pernas.
- Hematoma na coxa em acessos laterais. O ultrassom Doppler das veias diferencia em minutos.
Prevenção
- Caminhar cedo: no dia da cirurgia ou no seguinte, várias vezes ao dia.
- Exercícios de tornozelo (flexão e extensão) a cada hora enquanto deitado.
- Meias elásticas de compressão e compressão pneumática durante a internação, conforme protocolo.
- Hidratação.
- Anticoagulante profilático em pacientes de risco ou em cirurgias maiores, decidido pela equipe (balanceado com o risco de hematoma epidural).
- Evitar longos períodos sentado nas primeiras semanas; em viagens, levantar a cada hora.
Tratamento
Confirmada a trombose, inicia-se anticoagulação por semanas a meses, com acompanhamento. Em pós-operatório recente de coluna, a decisão envolve o cirurgião pelo risco de sangramento no local operado.
Quando procurar o especialista
Inchaço, dor ou calor em uma perna após cirurgia de coluna: avaliação no mesmo dia (cirurgião, pronto-socorro ou clínico) com ultrassom Doppler. Falta de ar ou dor no peito: emergência.
Perguntas frequentes
Meia de compressão em casa é necessária? Em geral por 2 a 4 semanas em cirurgias maiores, conforme orientação.
Posso viajar de avião logo após a cirurgia? Aguarde 2 semanas em cirurgias pequenas e 4 a 6 em artrodeses; caminhe a cada hora no voo.
Anticoncepcional deve ser suspenso? Discuta com o cirurgião e o ginecologista; em cirurgias maiores, a suspensão temporária pode ser recomendada.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Referências
- Mosenthal WP, Landy DC, Boyajian HH, et al. Thromboprophylaxis in spinal surgery. Spine. 2018;43(8):E474-E481. PMID: 28820759. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28820759/
- Debono B, et al. Consensus statement for perioperative care in lumbar spinal fusion: ERAS Society recommendations. Spine J. 2021;21(5):729-752. PMID: 33444664. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33444664/
- Konstantinides SV, Meyer G, Becattini C, et al. 2019 ESC guidelines for the diagnosis and management of acute pulmonary embolism. Eur Heart J. 2020;41(4):543-603. PMID: 31504429. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31504429/

