Mesma doença — o disco que hernia e comprime — em regiões com anatomia diferente: a lombar abriga apenas raízes; a cervical abriga a medula. Essa diferença muda o que a hérnia pode causar, a urgência de algumas situações e as técnicas cirúrgicas. Comparar ajuda a entender o próprio diagnóstico.

Frequência

Lombar: cerca de 90% das hérnias sintomáticas, sobretudo L4-L5 e L5-S1. Cervical: 5% a 10%, sobretudo C5-C6 e C6-C7. Torácica: rara.

Sintomas

Lombar: dor lombar e ciática (glúteo, coxa, perna, pé), formigamento no pé, fraqueza para levantar a ponta do pé ou ficar na ponta; piora ao sentar, tossir, fletir.

Cervical: dor no pescoço e no braço (ombro, braço, mão), formigamento em dedos específicos, fraqueza no braço ou na mão; piora ao inclinar a cabeça; alívio às vezes com a mão sobre a cabeça. Diferença central: a hérnia cervical pode comprimir a medula — mãos desajeitadas, desequilíbrio, rigidez nas pernas, sensação de choque ao fletir o pescoço (mielopatia).

Emergências

Lombar: síndrome da cauda equina (alteração urinária, intestinal, dormência íntima) — rara. Cervical: mielopatia progressiva — indica cirurgia mais precoce; lesão medular aguda por hérnia é rara.

Evolução natural

Ambas tendem a melhorar com tratamento conservador em 6 a 12 semanas na radiculopatia; a reabsorção espontânea ocorre nas duas regiões. A mielopatia cervical, porém, tende a progredir e não deve ser aguardada.

Tratamento conservador

Semelhante: atividade, medicação, fisioterapia (mobilidade, fortalecimento — flexores profundos na cervical, core na lombar), bloqueio radicular. Na cervical, cuidado adicional com manipulações e com o travesseiro.

Cirurgia

Lombar: microdiscectomia ou endoscopia pela parte de trás, sem implantes, alta em 24 horas; artrodese só com instabilidade. Cervical: as opções incluem ACDF (pela frente, com fusão), prótese de disco (pela frente, preservando movimento) e foraminotomia posterior (por trás, sem implante) — a via anterior é a mais usada porque a medula impede afastamentos pela via posterior em hérnias centrais; alta em 24 horas; disfagia transitória é particularidade da via anterior.

Recuperação

Semelhante em prazos (escritório em 1 a 3 semanas nas técnicas menores); na cervical, a dor no braço alivia de imediato e o pescoço pode incomodar por semanas.

Prevenção

Lombar: core, técnica de levantamento, pausas sentado, peso, não fumar. Cervical: flexores profundos e escapulares, ergonomia de tela e celular, travesseiro, não fumar.

Quando procurar o especialista

Dor irradiada para braço ou perna há mais de duas semanas, formigamento ou fraqueza: avaliação. Mãos desajeitadas com desequilíbrio, ou alteração urinária: urgente.

Perguntas frequentes

Hérnia cervical é mais perigosa? Pode comprimir a medula, o que exige atenção; a maioria comprime apenas a raiz e evolui bem.

Posso ter as duas? Sim; a predisposição é da coluna toda.

A cirurgia cervical é mais arriscada? Tem riscos próprios (disfagia, rouquidão), mas taxas de complicação grave baixas em mãos experientes.


Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Referências

  1. Kreiner DS, et al. An evidence-based clinical guideline for the diagnosis and treatment of lumbar disc herniation with radiculopathy. Spine J. 2014;14(1):180-191. PMID: 24239490. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24239490/
  2. Bono CM, et al. An evidence-based clinical guideline for the diagnosis and treatment of cervical radiculopathy from degenerative disorders. Spine J. 2011;11(1):64-72. PMID: 21168100. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21168100/
  3. Fehlings MG, et al. A clinical practice guideline for the management of patients with degenerative cervical myelopathy. Global Spine J. 2017;7(3 Suppl):70S-83S. PMID: 29164035. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29164035/