Depois dos 65 anos, a dor nas costas tem causas diferentes, sinais de alerta mais frequentes e um tratamento que precisa respeitar comorbidades e medicamentos. "É da idade" é uma explicação que atrasa diagnósticos — de fratura por osteoporose a estenose tratável — e que ignora que o idoso ativo tem menos dor que o sedentário.
Causas mais frequentes
- Estenose de canal: dor e peso nas pernas ao caminhar, alívio ao sentar — a principal causa de limitação de marcha nessa faixa.
- Artrose facetária e discopatia: dor mecânica com rigidez matinal breve.
- Fratura vertebral por osteoporose: dor súbita na linha média após esforço mínimo ou sem trauma — frequentemente não diagnosticada.
- Espondilolistese degenerativa e escoliose do adulto.
- Dor sacroilíaca.
- Causas a afastar: metástases (histórico de câncer, dor noturna, perda de peso), infecção (diabetes, procedimentos, febre), aneurisma de aorta, doenças reumatológicas (polimialgia).
Sinais de alerta mais relevantes no idoso
Dor súbita intensa (fratura); dor noturna constante (tumor); febre; perda de peso; fraqueza ou formigamento nas pernas; alteração urinária; dor com pulsação abdominal; queda recente; uso de corticoide; histórico de câncer.
Particularidades do tratamento
- Medicação: anti-inflamatórios com cautela (rim, coração, estômago); paracetamol e dipirona como base; relaxantes e gabapentinoides em dose baixa (sonolência e quedas); opioides evitados.
- Exercício adaptado: caminhada, bicicleta, hidroginástica, fortalecimento e equilíbrio — reduz dor e quedas.
- Osteoporose tratada quando presente.
- Infiltrações e bloqueios para permitir atividade, com menos efeito sistêmico.
- Cirurgia quando indicada (estenose incapacitante, fratura instável), com preferência por técnicas menos invasivas e preparo clínico; a idade não contraindica.
- Prevenção de quedas: iluminação, tapetes, calçados, revisão de medicamentos que causam tontura, visão.
O que a inatividade custa
Perda muscular acelerada, mais quedas, isolamento, declínio cognitivo e funcional. No idoso, "ficar quieto" por dor é mais perigoso do que na pessoa jovem; o tratamento deve permitir mover-se.
Quando procurar o especialista
Idoso com dor nas costas nova e intensa, dor nas pernas ao caminhar com distância decrescente, dor noturna, febre ou perda de peso, ou fraqueza: avaliação com especialista em coluna, integrada ao clínico ou geriatra. Radiografia é razoável como primeiro exame nessa faixa etária diante de dor nova.
Perguntas frequentes
Dor nas costas em idoso é sempre desgaste? Na maioria, mas fraturas, estenose e causas graves são mais frequentes e merecem exame.
Idoso pode tomar anti-inflamatório? Por curtíssimo período, com avaliação de rim, pressão e coração.
Exercício é seguro com osteoporose? Sim, com orientação; evitar flexão forçada do tronco e impacto alto.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Referências
- Hartvigsen J, et al. What low back pain is and why we need to pay attention. Lancet. 2018;391:2356-2367. PMID: 29573870. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29573870/
- Lurie J, Tomkins-Lane C. Management of lumbar spinal stenosis. BMJ. 2016;352:h6234. PMID: 26727925. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26727925/
- Compston JE, McClung MR, Leslie WD. Osteoporosis. Lancet. 2019;393(10169):364-376. PMID: 30696576. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30696576/

