A dor nas costas é um dos motivos mais frequentes de procura a prontos-socorros — e, na maioria das vezes, o pronto-socorro não é o lugar certo: a dor mecânica comum é tratada em casa e em consulta. Mas há situações em que esperar custa função. Este guia é uma triagem prática em três níveis.
Nível 1 — vá agora (emergência)
- Dificuldade para urinar, incontinência urinária ou fecal, dormência na região íntima com dor lombar ou ciática: síndrome da cauda equina.
- Fraqueza rápida ou progressiva em uma ou nas duas pernas (ou nos braços).
- Dor nas costas após trauma significativo (queda de altura, acidente), ou qualquer trauma em idoso ou com osteoporose.
- Dor súbita, "rasgando", entre as escápulas ou no abdome, com pulsação, suor ou queda de pressão (aorta).
- Dor nas costas com dor no peito, falta de ar, suor frio (coração, pulmão).
- Dor de cabeça súbita e explosiva com dor cervical (hemorragia).
- Febre alta com dor intensa na coluna em diabético, imunossuprimido ou após procedimento (infecção).
- Paciente com câncer e fraqueza nas pernas ou alteração urinária nova.
Nível 2 — avaliação em 24 a 72 horas (consulta prioritária ou pronto atendimento)
- Dor irradiada intensa com formigamento ou fraqueza leve estável.
- Dor que não muda com posição, noturna, com perda de peso ou histórico de câncer.
- Febre baixa com dor na coluna.
- Dor súbita na linha média em idoso sem trauma (possível fratura).
- Mãos desajeitadas com desequilíbrio (mielopatia).
- Dor lombar intensa que impede levantar-se, sem sinais de nível 1, após 48 horas de medidas caseiras sem melhora.
Nível 3 — cuide em casa e agende consulta
- Coluna travada ou dor lombar/cervical após esforço, sem irradiação, sem sinais acima: movimento leve, calor, analgésico por poucos dias; consulta se não melhorar em 1 a 2 semanas.
- Dor irradiada leve a moderada sem déficit: consulta em 1 a 2 semanas.
- Dor crônica conhecida em crise habitual: medidas conhecidas e consulta se mudar o padrão.
O que o pronto-socorro faz e não faz
Faz: afasta emergências, controla dor intensa, solicita imagem quando há sinais de alerta, encaminha. Não faz: tratamento definitivo de dor crônica, ressonância "para saber o que é" sem sinais de alerta, fisioterapia. Muitos pacientes saem do PS com medicação e a orientação de procurar o especialista — o que é correto.
O que levar
Lista de medicamentos, exames anteriores, descrição de quando começou e do que mudou, e — se houver — o nome do especialista que acompanha.
Quando procurar o especialista
Após qualquer atendimento de emergência por dor na coluna, agende a consulta com o especialista para o tratamento definitivo. Para dor sem sinais de alerta, a consulta é o caminho, não o PS.
Perguntas frequentes
Dor muito forte é emergência? Intensidade sozinha, não; sinais neurológicos, urinários, trauma e sintomas sistêmicos, sim.
Devo pedir ressonância no PS? Só com sinais de alerta; fora disso, o exame precoce não muda o tratamento.
Posso dirigir até o hospital com fraqueza na perna? Não; peça transporte ou chame 192.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Referências
- Gardner A, Gardner E, Morley T. Cauda equina syndrome: a review of the current clinical and medico-legal position. Eur Spine J. 2011;20(5):690-697. PMID: 21193933. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21193933/
- Hartvigsen J, et al. What low back pain is and why we need to pay attention. Lancet. 2018;391:2356-2367. PMID: 29573870. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29573870/
- Foster NE, et al. Prevention and treatment of low back pain: evidence, challenges, and promising directions. Lancet. 2018;391:2368-2383. PMID: 29573872. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29573872/

