A medula é o "cabo" que liga o cérebro ao corpo; passa pelo canal vertebral da cervical até a lombar alta. Quando algo a comprime — hérnia cervical volumosa, estenose, fratura, tumor, abscesso —, os sintomas aparecem abaixo do nível da compressão, nos dois lados, e podem se tornar permanentes se a descompressão demorar. Reconhecer os sinais é o que define o desfecho.
Sinais de compressão medular
- Fraqueza nas pernas (e nos braços, se a compressão for cervical), frequentemente nos dois lados, com rigidez e sensação de peso.
- Alteração da marcha: passos inseguros, desequilíbrio, necessidade de apoio.
- Mãos desajeitadas e perda de destreza (compressão cervical).
- Dormência ou formigamento que sobe pelas pernas, ou em faixa no tronco ("nível sensitivo").
- Alterações urinárias: urgência, retenção, incontinência.
- Alteração intestinal e da função sexual.
- Sensação de choque ao flexionar o pescoço (sinal de Lhermitte).
- Reflexos exaltados, espasmos nas pernas. Dor pode ou não estar presente; na mielopatia degenerativa, muitas vezes é discreta.
Aguda x crônica
Compressão aguda (horas a dias): trauma, hérnia volumosa súbita, hematoma epidural (após punção ou em anticoagulados), abscesso, colapso vertebral por tumor. Emergência: a descompressão em horas preserva função.
Compressão crônica (meses a anos): mielopatia cervical degenerativa, estenose, tumores de crescimento lento, ossificação de ligamentos. Progressão lenta, em degraus; a cirurgia interrompe a piora e é indicada na moderada a grave, e considerada na leve.
Causas mais comuns
Mielopatia cervical degenerativa (a mais comum em adultos), hérnia cervical ou torácica central, metástases vertebrais (a compressão medular ocorre em 5% a 10% dos pacientes com câncer avançado), fraturas, espondilodiscite com abscesso epidural, tumores intradurais, artrite reumatoide na cervical alta.
Diagnóstico
Exame neurológico (o que define urgência) e ressonância urgente de toda a coluna quando há suspeita de compressão aguda. Em câncer conhecido com dor nas costas nova e sintomas nas pernas, a ressonância deve ser feita em horas.
Tratamento
Descompressão cirúrgica é o tratamento na maioria das causas — via anterior, posterior ou combinada, com ou sem estabilização —, com monitorização neurofisiológica. Em metástases, corticoide em dose alta imediato, e descompressão cirúrgica seguida de radioterapia (com evidência de superioridade sobre radioterapia isolada para manter a marcha) ou radioterapia em pacientes selecionados. Em abscessos, drenagem e antibióticos. Reabilitação é parte integral.
Quando procurar atendimento
Fraqueza nas pernas de início recente, alteração urinária nova, dormência ascendente ou em faixa no tronco, sobretudo com histórico de câncer, trauma, febre ou uso de anticoagulantes: pronto-socorro imediatamente, de preferência com neurocirurgia. Mãos desajeitadas com desequilíbrio progressivo: avaliação em dias.
Perguntas frequentes
A função volta após descompressão? Depende do tempo e da gravidade; quanto mais cedo, maior a recuperação. Compressões crônicas melhoram parcialmente.
Compressão medular causa dor? Nem sempre; os sinais motores e sensitivos são mais confiáveis que a dor.
Manipulação do pescoço é segura com compressão? Não; é contraindicada.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Referências
- Fehlings MG, et al. A clinical practice guideline for the management of patients with degenerative cervical myelopathy. Global Spine J. 2017;7(3 Suppl):70S-83S. PMID: 29164035. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29164035/
- Patchell RA, et al. Direct decompressive surgical resection in the treatment of spinal cord compression caused by metastatic cancer: a randomised trial. Lancet. 2005;366(9486):643-648. PMID: 16112300. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16112300/
- Davies BM, et al. Degenerative cervical myelopathy. BMJ. 2018;360:k186. PMID: 29472200. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29472200/

