Dor lombar localizada, de um lado ou dos dois, que piora ao ficar em pé, ao se inclinar para trás e ao levantar da cadeira, melhora ao sentar e ao se inclinar para a frente, e vem com rigidez matinal breve. Sem irradiação além do glúteo e da coxa, sem formigamento. Esse padrão aponta para as facetas — as pequenas articulações da parte de trás da coluna — e tem um caminho de tratamento próprio.

O padrão que denuncia a faceta

  • Piora em extensão (arquear para trás, ficar em pé por muito tempo, caminhar em descida, dormir de bruços).
  • Melhora em flexão (sentar, inclinar-se para a frente, deitar de lado encolhido).
  • Dor ao levantar da cadeira ou da cama, com rigidez que solta em minutos.
  • Dor à pressão sobre a coluna ao lado da linha média.
  • Irradiação difusa para glúteo e coxa posterior, sem passar do joelho, sem formigamento (dor referida, não radicular).
  • Mais comum após os 45 anos, em quem tem artrose facetária ou hiperlordose. Nenhum sinal isolado confirma; o conjunto aumenta a probabilidade.

Por que o laudo não confirma

Artrose facetária na ressonância é comum em pessoas sem dor; a presença na imagem não prova que a faceta dói. A confirmação, quando se cogita procedimento, é pelo bloqueio diagnóstico dos ramos mediais: alívio da dor por algumas horas após o anestésico confirma a origem.

O que alivia no dia a dia

  • Evitar posturas em extensão sustentada; ao ficar em pé por muito tempo, apoiar um pé em um degrau.
  • Sentar com apoio lombar; inclinar-se levemente para a frente alivia.
  • Dormir de lado com os joelhos flexionados ou de costas com apoio sob os joelhos; evitar de bruços.
  • Calor local em crises.
  • Anti-inflamatórios por curto período.

Tratamento estruturado

  1. Exercício: fortalecimento de core e glúteos (que reduzem a carga nas facetas), alongamento dos flexores do quadril, mobilidade de quadril e torácica; evitar hiperextensões nos exercícios.
  2. Fisioterapia com terapia manual e programa de estabilização.
  3. Controle de peso.
  4. Infiltração facetária com corticoide em crises.
  5. Radiofrequência dos ramos mediais (rizotomia) em dor persistente confirmada por bloqueio: alívio de 6 meses a 2 anos, repetível.
  6. Cirurgia: não há cirurgia para dor facetária isolada; artrodese só com instabilidade associada.

Quando procurar o especialista

Agende avaliação se a dor com esse padrão persiste por mais de seis semanas apesar do exercício e das medidas acima, para confirmar a origem e discutir infiltração ou radiofrequência.

Perguntas frequentes

Dor facetária é artrose? Frequentemente, mas facetas podem doer por sobrecarga sem artrose importante.

Pilates é bom para dor facetária? Sim, com atenção a evitar exercícios de extensão forçada.

A radiofrequência é definitiva? O nervo se regenera e a dor pode voltar após meses a anos; o procedimento pode ser repetido.


Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Referências

  1. Cohen SP, Raja SN. Pathogenesis, diagnosis, and treatment of lumbar zygapophysial (facet) joint pain. Anesthesiology. 2007;106(3):591-614. PMID: 17325518. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17325518/
  2. Cohen SP, et al. Consensus practice guidelines on interventions for lumbar facet joint pain. Reg Anesth Pain Med. 2020;45(6):424-467. PMID: 32245841. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32245841/
  3. Brinjikji W, et al. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. AJNR. 2015;36(4):811-816. PMID: 25430861. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25430861/