Dor lombar em um adolescente que joga futebol, faz ginástica, tênis ou natação (estilo borboleta), pior ao arquear as costas, que não melhora com repouso de alguns dias. A causa mais frequente de dor lombar persistente em jovens atletas não é hérnia — é a espondilólise, uma fratura por estresse em uma parte específica da vértebra, quase sempre em L5.
O que é
Uma falha ou fratura na pars interarticularis, o istmo ósseo que conecta a parte de trás da vértebra (facetas) ao corpo. Ocorre por microtraumas repetidos em hiperextensão e rotação da lombar, sobre uma base de predisposição anatômica. Pode ser de um lado ou dos dois; se bilateral, a vértebra pode escorregar para a frente (espondilolistese ístmica). Presente em cerca de 4% a 6% da população, a maioria sem sintomas.
Sintomas
- Dor lombar baixa, de um lado ou central, que piora ao estender o tronco (arquear para trás), ao praticar o esporte, e melhora com repouso.
- Rigidez dos posteriores da coxa.
- Raramente, dor irradiada (se houver listese com compressão).
- Em adultos, achado incidental frequente sem relação com a dor.
Diagnóstico
Teste de extensão em uma perna (dor ao arquear apoiado em um pé só); radiografia (pode mostrar o defeito, mas não a fase aguda); ressonância com sequências para edema ósseo detecta a lesão de estresse antes da fratura completa; tomografia mostra a fratura e sua consolidação. A SPECT-CT identifica atividade óssea em casos duvidosos.
Tratamento
Lesão aguda (com edema, em adolescente): afastamento do esporte por 8 a 12 semanas (às vezes mais), colete em casos selecionados, fisioterapia com estabilização e alongamento dos posteriores da coxa, evitando hiperextensão. O objetivo é a consolidação óssea, mais provável em lesões unilaterais e recentes. Retorno gradual ao esporte após melhora clínica e, quando possível, evidência de consolidação.
Lesão crônica (não consolidada, "pseudoartrose do istmo"): a maioria fica assintomática com fortalecimento e ajuste de treino; dor persistente é tratada com fisioterapia, bloqueio do defeito em casos selecionados.
Cirurgia: rara — reparo direto da pars em jovens com dor refratária e sem degeneração discal, ou artrodese em listese progressiva ou sintomática.
Prevenção da recorrência
Fortalecimento de core e glúteos, técnica esportiva que reduza a hiperextensão repetida, progressão de treino, e atenção a dor lombar persistente em jovens — quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de consolidação.
Quando procurar o especialista
Dor lombar em adolescente ou jovem atleta por mais de duas a três semanas, pior em extensão: avaliação com especialista em coluna e ressonância dirigida. Não trate como "dor muscular" por meses.
Perguntas frequentes
Meu filho vai poder voltar ao esporte? Na grande maioria, sim, após o tratamento e com progressão.
Espondilólise vira espondilolistese? Em lesões bilaterais, pode haver escorregamento, geralmente pequeno e estável; acompanhamento durante o crescimento.
Adulto com espondilólise precisa tratar? Só se houver dor relacionada; a maioria é achado sem sintomas.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Referências
- Leone A, Cianfoni A, Cerase A, et al. Lumbar spondylolysis: a review. Skeletal Radiol. 2011;40(6):683-700. PMID: 20440613. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20440613/
- Klein G, Mehlman CT, McCarty M. Nonoperative treatment of spondylolysis and grade I spondylolisthesis in children and young adults: a meta-analysis of observational studies. J Pediatr Orthop. 2009;29(2):146-156. PMID: 19352240. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19352240/

