O medo da dor após a cirurgia é frequentemente maior que a dor em si. Com anestesia multimodal, técnicas minimamente invasivas e protocolos modernos, a dor pós-operatória da maioria das cirurgias de coluna é moderada, previsível e controlada com medicação oral em dias. Saber o que esperar reduz a ansiedade e melhora o controle.

Durante a cirurgia

Nenhuma dor: anestesia geral, raquidiana ou local com sedação garantem ausência de dor. Na endoscopia com sedação, o paciente pode sentir pressão e, propositalmente, ser capaz de avisar sobre dor irradiada se a raiz for tocada — o que protege o nervo.

As primeiras 24 a 48 horas

Dor na incisão e na musculatura, geralmente moderada (3 a 6 em 10) e maior em artrodeses; dor irradiada da hérnia costuma desaparecer ou reduzir muito de imediato — muitos relatam "a dor da perna sumiu". Controle: infiltração de anestésico local na ferida ao fim da cirurgia, analgesia multimodal (paracetamol/dipirona + anti-inflamatório quando permitido + opioide fraco de resgate), bloqueios regionais em artrodeses, gelo na incisão. O objetivo é dor que permita caminhar no mesmo dia.

Primeira semana

Dor da incisão diminui dia a dia; dor muscular ao mudar de posição; rigidez. Medicação oral nos horários, redução progressiva. Dor que aumenta em vez de diminuir, ou dor irradiada que retorna com força, deve ser comunicada.

Semanas 2 a 6

Dor leve e intermitente na incisão e na região; sensação de "repuxamento"; formigamento residual (nervo em recuperação). Medicação de resgate ocasional; fisioterapia iniciada.

Por tipo de cirurgia

  • Endoscopia: dor mínima; muitos usam apenas analgésicos simples por poucos dias.
  • Microdiscectomia e foraminotomia: dor leve a moderada por 1 a 2 semanas.
  • Descompressão (laminectomia): moderada por 1 a 3 semanas.
  • Cirurgia cervical anterior: dor no pescoço, dificuldade para engolir por dias; dor no braço alivia de imediato.
  • Artrodese: moderada a intensa nos primeiros dias, controlada com esquema multimodal; melhora em 2 a 4 semanas; dor muscular residual por semanas.
  • Deformidade: a mais intensa; UTI e analgesia venosa nos primeiros dias.

O que reduz a dor

Técnica minimamente invasiva; anestésico local na ferida; mobilização precoce (paradoxalmente, mover reduz a dor); analgesia programada (não esperar a dor ficar forte); expectativa realista; sono; ausência de tabagismo.

O que não fazer

Suportar dor sem tomar a medicação (dificulta a mobilização); usar opioides além dos primeiros dias sem necessidade; ficar imóvel; comparar sua dor com a de outros.

Quando procurar o especialista

Dor que piora progressivamente, dor irradiada intensa que retorna, febre, dor de cabeça intensa ao ficar em pé, fraqueza ou alteração urinária: contato imediato. Dúvidas sobre o esquema de medicação: consultório.

Perguntas frequentes

Vou precisar de morfina? Raramente além das primeiras 24 horas em cirurgias pequenas; em artrodeses, opioides por poucos dias.

A dor da perna volta depois? Uma minoria tem recidiva; dor irradiada que retorna após melhora merece avaliação.

Dói mais que a hérnia? Para a maioria, a dor pós-operatória é menor e mais controlável que a dor irradiada que motivou a cirurgia.


Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Referências

  1. Debono B, et al. Consensus statement for perioperative care in lumbar spinal fusion: ERAS Society recommendations. Spine J. 2021;21(5):729-752. PMID: 33444664. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33444664/
  2. Gadjradj PS, et al. Full endoscopic versus open discectomy for sciatica: randomised controlled non-inferiority trial. BMJ. 2022;376:e065846. PMID: 35190388. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35190388/
  3. Kreiner DS, et al. An evidence-based clinical guideline for the diagnosis and treatment of lumbar disc herniation with radiculopathy. Spine J. 2014;14(1):180-191. PMID: 24239490. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24239490/