A clipagem é o tratamento clássico do aneurisma cerebral: por uma craniotomia, o neurocirurgião coloca um pequeno clipe de titânio no colo do aneurisma, excluindo-o da circulação de forma imediata e definitiva. Mesmo com o crescimento da embolização, a clipagem permanece a melhor opção em várias situações — e entender quais ajuda a decidir.

Como é feita

Anestesia geral; craniotomia (geralmente pterional, na têmpora, com incisão atrás da linha do cabelo); sob microscópio, o cirurgião abre as cisternas de líquor, expõe a artéria e o aneurisma com mínima manipulação do cérebro, e posiciona o clipe no colo; verifica-se a oclusão com fluorescência ou ultrassom intraoperatório. Dura 3 a 5 horas; UTI por 24 a 48 horas; internação de 4 a 7 dias em aneurismas não rotos (mais longa em rotos, pelo risco de vasoespasmo).

Quando a clipagem é preferida

  • Aneurismas da artéria cerebral média, de fácil acesso cirúrgico e frequentemente com colo largo.
  • Colo largo ou formato irregular que dificulta a retenção de molas.
  • Aneurismas com hematoma que precisa ser drenado na mesma cirurgia.
  • Pacientes jovens: a clipagem tem maior durabilidade (menor recanalização), o que pesa em décadas de vida.
  • Ramos saindo do aneurisma que precisam ser preservados sob visão direta.
  • Falha ou recanalização após embolização.

Quando a embolização é preferida

Aneurismas da circulação posterior (basilar), localização profunda, pacientes idosos ou com comorbidades, aneurisma roto com condição clínica desfavorável, e a maioria dos rotos elegíveis para ambas (pelo resultado do ISAT).

Resultados

Oclusão completa em mais de 90% dos casos, com durabilidade alta: recorrência após clipagem completa é rara. Em aneurismas não rotos, o risco de complicação neurológica permanente varia de 2% a 8% conforme localização, tamanho e idade, e deve ser comparado ao risco anual de ruptura para decidir tratar.

Riscos

AVC por oclusão de ramos ou vasoespasmo, sangramento intraoperatório, convulsões, infecção, vazamento de líquor, déficits temporários, alterações cognitivas transitórias. A experiência do cirurgião e do centro influencia diretamente os resultados.

Recuperação

Dor de cabeça e cansaço por semanas; retorno a atividades leves em 3 a 4 semanas; trabalho em 6 a 8 semanas; angiografia ou angiotomografia de controle; acompanhamento com imagem periódica.

Quando procurar o especialista

Diagnosticado um aneurisma, a avaliação em centro que ofereça as duas técnicas permite escolher com base na anatomia e no perfil do paciente. Dor de cabeça súbita e explosiva é emergência.

Perguntas frequentes

O clipe fica para sempre? Sim; é de titânio, compatível com ressonância.

Posso ter outro aneurisma? Pessoas com um aneurisma têm risco maior de outros; o acompanhamento inclui pesquisa.

Vou ficar com deformidade na cabeça? O osso é recolocado e fixado; a cicatriz fica sob o cabelo.


Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Referências

  1. Molyneux A, et al. International Subarachnoid Aneurysm Trial (ISAT) of neurosurgical clipping versus endovascular coiling in 2143 patients with ruptured intracranial aneurysms. Lancet. 2002;360(9342):1267-1274. PMID: 12414200. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12414200/
  2. Thompson BG, et al. Guidelines for the management of patients with unruptured intracranial aneurysms: AHA/ASA. Stroke. 2015;46(8):2368-2400. PMID: 26089327. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26089327/
  3. Molyneux AJ, et al. The durability of endovascular coiling versus neurosurgical clipping of ruptured cerebral aneurysms: 18 year follow-up of the UK cohort of the ISAT. Lancet. 2015;385(9969):691-697. PMID: 25465111. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25465111/