"Artrose na coluna" está em quase todo laudo depois dos 50 anos — e muita gente recebe esse diagnóstico como uma sentença de dor crônica. Não é. A artrose é o desgaste natural das articulações da coluna, presente em praticamente todos os adultos maduros, e a maioria convive com ela sem limitação relevante. O que define a qualidade de vida não é o grau de desgaste na imagem, e sim a força, a mobilidade e os hábitos.
O que se desgasta
A coluna tem dois sistemas de articulação em cada nível: o disco na frente e as duas articulações facetárias atrás. Com o tempo, o disco perde água e altura, as facetas perdem cartilagem e formam osteófitos ("bico de papagaio"), os ligamentos engrossam. Esse conjunto é a espondiloartrose — ou, no laudo, "alterações degenerativas".
Por que dói (quando dói)
- Dor facetária: localizada, piora ao ficar em pé, ao se inclinar para trás e de manhã; melhora ao sentar ou inclinar para a frente.
- Dor discogênica: mais central e profunda, piora ao sentar e ao flexionar.
- Estenose: quando o desgaste estreita o canal e comprime nervos — dor nas pernas ao caminhar.
- Dor muscular associada à rigidez.
Mas atenção: exames de pessoas sem dor mostram artrose facetária em mais de 60% aos 60 anos. A correlação entre imagem e dor é fraca.
Fatores que aceleram
Idade, genética, sobrepeso, sedentarismo, tabagismo, trabalho com carga ou vibração, lesões prévias. Alguns não se controlam; outros, sim — e são justamente os que mais influenciam os sintomas.
Tratamento: o que funciona
- Exercício regular — a intervenção com mais evidência: fortalecimento do core e dos glúteos, mobilidade, atividade aeróbica de baixo impacto (caminhada, natação, bicicleta).
- Controle de peso.
- Fisioterapia em fases de dor, com foco em autonomia.
- Medicação em crises, por curto período.
- Infiltração facetária ou radiofrequência quando a dor facetária é confirmada e limita a vida.
- Cirurgia apenas quando a artrose causa estenose com sintomas nas pernas ou instabilidade — não para a artrose em si.
O que não funciona (ou tem pouca evidência)
Colágeno e suplementos "para cartilagem", repouso prolongado, cintas por longos períodos, exames repetidos para "acompanhar o desgaste".
Quando procurar o especialista
Agende avaliação se a dor limita atividades, se irradia para as pernas, se há formigamento ou fraqueza, ou se você quer um plano de exercícios adequado à sua coluna. O especialista identifica a fonte da dor — faceta, disco, nervo — e direciona o tratamento.
Perguntas frequentes
Artrose na coluna tem cura? O desgaste não regride, mas os sintomas são controláveis e a maioria vive bem.
Posso fazer musculação com artrose? Sim, com orientação. Músculos fortes reduzem a carga sobre as articulações.
Vou precisar de cirurgia um dia? A minoria precisa, e apenas quando há compressão nervosa ou instabilidade.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Referências
- Brinjikji W, et al. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. AJNR. 2015;36(4):811-816. PMID: 25430861. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25430861/
- Foster NE, et al. Prevention and treatment of low back pain: evidence, challenges, and promising directions. Lancet. 2018;391:2368-2383. PMID: 29573872. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29573872/
- Cohen SP, Raja SN. Pathogenesis, diagnosis, and treatment of lumbar zygapophysial (facet) joint pain. Anesthesiology. 2007;106(3):591-614. PMID: 17325518. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17325518/

