O plasma rico em plaquetas — concentrado obtido do próprio sangue do paciente, rico em fatores de crescimento — é usado há anos em tendões e articulações, e chegou à coluna com a promessa de "regenerar" discos e facetas. A evidência ainda é inicial: alguns estudos pequenos com resultados promissores, poucos ensaios controlados, e ausência de recomendação em diretrizes. Vale saber o que existe e o que não existe.
O que é
Colhe-se sangue do paciente, centrifuga-se para concentrar as plaquetas (3 a 8 vezes o normal) e injeta-se o concentrado na estrutura-alvo. As plaquetas liberam fatores de crescimento que, em teoria, estimulam reparo e modulam a inflamação. Não há células-tronco no PRP.
Onde é proposto na coluna
- Intradiscal: para dor discogênica (Modic, fissuras anulares, degeneração de grau intermediário).
- Facetário: para artrose facetária, como alternativa ao corticoide.
- Sacroilíaco.
- Epidural em radiculopatia, em vez de corticoide.
- Tecidos moles paravertebrais.
O que a evidência mostra
- Intradiscal: um ensaio randomizado pequeno (2016) mostrou melhora de dor e função em comparação com contraste isolado em 8 semanas, com efeito mantido em acompanhamento de séries; revisões apontam evidência de baixa qualidade, com necessidade de ensaios maiores. Não há demonstração de "regeneração" do disco na imagem.
- Facetário: estudos pequenos sugerem alívio comparável ou superior ao do corticoide a médio prazo, com evidência limitada.
- Epidural: dados preliminares.
- Nenhuma diretriz de sociedade de coluna ou de dor recomenda o PRP como tratamento padrão; é considerado experimental ou em investigação.
Vantagens e limites
Usa material do próprio paciente (baixo risco de reação), procedimento ambulatorial por agulha, sem corticoide. Limites: falta de padronização (concentração, volume, número de injeções variam entre serviços), evidência insuficiente, custo não coberto por planos, e o risco de substituir tratamentos com evidência (exercício, bloqueios) por um sem.
Riscos
Baixos: dor local, raramente infecção (discite em injeções intradiscais). Não usar em infecção ativa, câncer ativo ou distúrbios de coagulação.
Como avaliar uma proposta de PRP
Pergunte: qual a estrutura-alvo e por quê; qual a evidência para esse alvo; qual o protocolo (quantas injeções, concentração); o que é oferecido junto (exercício, reabilitação); qual o custo; e o que acontece se não funcionar. Desconfie de "regeneração do disco" e de resultados garantidos.
Quando procurar o especialista
Se você recebeu proposta de PRP na coluna, uma avaliação com especialista em coluna define se há alternativas com evidência mais robusta para o seu caso e em que ponto do tratamento o PRP poderia, eventualmente, entrar — idealmente em contexto de pesquisa ou com expectativas claras.
Perguntas frequentes
PRP regenera o disco? Não há evidência de regeneração estrutural; pode reduzir dor em alguns pacientes.
É melhor que corticoide? Nas facetas, estudos pequenos sugerem efeito mais duradouro; na raiz, dados insuficientes.
Convênio cobre? Geralmente não.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Referências
- Tuakli-Wosornu YA, Terry A, Boachie-Adjei K, et al. Lumbar intradiskal platelet-rich plasma (PRP) injections: a prospective, double-blind, randomized controlled study. PM R. 2016;8(1):1-10. PMID: 26314234. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26314234/
- Muthu S, Jeyaraman M, Chellamuthu G, et al. Does the intradiscal injection of platelet rich plasma have any beneficial role in the management of lumbar disc disease? Global Spine J. 2022;12(3):503-514. PMID: 33840260. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33840260/
- Foster NE, et al. Prevention and treatment of low back pain: evidence, challenges, and promising directions. Lancet. 2018;391:2368-2383. PMID: 29573872. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29573872/

