Fundir duas vértebras resolve a dor, mas elimina o movimento daquele segmento e transfere carga aos vizinhos. A prótese de disco nasceu para contornar esse problema: substitui o disco doente por um implante articulado que mantém a mobilidade. Consolidada na coluna cervical e disponível para casos selecionados na lombar, tem indicações precisas — e não é para todos.
O que é
Um implante composto por duas placas metálicas (titânio ou cromo-cobalto) fixadas às vértebras acima e abaixo, com um núcleo móvel entre elas (polietileno ou metal). O conjunto reproduz parte do movimento natural do disco: flexão, extensão, inclinação e rotação controladas.
Onde é usada
Coluna cervical. É a indicação mais estabelecida. Em hérnias cervicais com dor no braço (radiculopatia) ou compressão da medula em um ou dois níveis, a prótese substitui a artrodese cervical anterior (ACDF) em pacientes selecionados. Ensaios randomizados com acompanhamento de 7 a 10 anos mostraram resultados de dor e função semelhantes ou superiores à artrodese, com menor taxa de reoperação e de degeneração dos níveis adjacentes.
Coluna lombar. Indicação mais restrita: dor lombar discogênica em um nível (geralmente L4-L5 ou L5-S1), em paciente jovem, sem artrose facetária, sem instabilidade, sem osteoporose, com falha do tratamento conservador. A seleção rigorosa é o que determina o sucesso.
Quem é candidato
- Doença em um ou dois níveis.
- Facetas preservadas (sem artrose importante).
- Sem instabilidade, espondilolistese ou deformidade.
- Boa qualidade óssea.
- Idade em geral abaixo de 60 anos.
- Sem infecção, tumor ou fratura.
Quem não é candidato
Artrose facetária avançada, instabilidade, osteoporose, doença em múltiplos níveis, estenose central importante, cirurgia prévia extensa no nível.
Vantagens
- Preserva o movimento do segmento.
- Reduz a sobrecarga dos níveis vizinhos (doença do segmento adjacente).
- Não depende de consolidação óssea — sem risco de pseudoartrose.
- Recuperação semelhante ou mais rápida que a artrodese.
Limites e riscos
- Indicação restrita; fora dos critérios, resultados piores que a artrodese.
- Complicações possíveis: migração ou afundamento do implante, ossificação ao redor (que reduz o movimento), desgaste do núcleo a longo prazo.
- Na lombar, o acesso é pela frente do abdome, com riscos próprios (vasos, estruturas abdominais).
- Cobertura por planos de saúde varia; exige indicação bem documentada.
Como é a cirurgia e a recuperação
Cervical: incisão de 3 a 4 cm na frente do pescoço, 1 a 2 horas, alta em 24 horas, retorno a atividades leves em 1 a 2 semanas. Lombar: acesso anterior, internação de 2 a 3 dias, retorno a atividades de escritório em 3 a 4 semanas. Fisioterapia nas primeiras semanas em ambos.
Quando procurar o especialista
Se você tem hérnia cervical com indicação cirúrgica e quer saber se é candidato à prótese, ou dor lombar discogênica em um nível sem resposta ao tratamento, agende avaliação. A escolha entre prótese e artrodese depende de critérios anatômicos que só o exame e a imagem definem.
Perguntas frequentes
A prótese dura quanto tempo? Estudos com 10 anos de acompanhamento mostram bons resultados na cervical; dados de longo prazo na lombar são mais limitados.
Posso fazer ressonância com a prótese? Sim, com artefato local na imagem, que não impede a avaliação dos outros níveis.
Prótese é melhor que artrodese? Para o paciente certo, oferece vantagens; para quem não preenche os critérios, a artrodese é mais segura.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Referências
- Mummaneni PV, Burkus JK, Haid RW, et al. Clinical and radiographic analysis of cervical disc arthroplasty compared with allograft fusion: a randomized controlled clinical trial. J Neurosurg Spine. 2007;6(3):198-209. PMID: 17355018. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17355018/
- Gornet MF, Lanman TH, Burkus JK, et al. Two-level cervical disc arthroplasty versus anterior cervical discectomy and fusion: 10-year outcomes of a prospective, randomized investigational device exemption clinical trial. J Neurosurg Spine. 2019;31(4):508-518. PMID: 31226684. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31226684/
- Zigler JE, Delamarter RB. Five-year results of the prospective, randomized, multicenter, FDA IDE study of the ProDisc-L total disc replacement versus circumferential arthrodesis for the treatment of single-level degenerative disc disease. J Neurosurg Spine. 2012;17(6):493-501. PMID: 23082846. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23082846/

