A radiografia mediu a curva: 20 graus. Ou 35. Ou 50. O número é a referência central para decidir observação, colete ou cirurgia — mas não é o único fator. A idade e o quanto ainda vai crescer pesam tanto quanto o ângulo. Este guia traduz as faixas.

Como o ângulo é medido

O ângulo de Cobb, na radiografia de coluna inteira em pé: traçam-se linhas nas vértebras mais inclinadas no topo e na base da curva e mede-se o ângulo entre elas. Variação de 3 a 5 graus entre medidas é esperada — uma "mudança" de 3 graus não é progressão.

As faixas — em adolescentes que ainda crescem

10 a 20 graus. Escoliose leve. Observação com radiografias a cada 4 a 12 meses até o fim do crescimento. Sem colete, sem cirurgia. Exercícios específicos podem ser indicados. A maioria não progride para a faixa cirúrgica.

20 a 25 graus. Zona de decisão. Observação próxima; colete se houver progressão documentada (5 graus ou mais entre radiografias) ou muito crescimento pela frente (pré-menarca, Risser 0–1). Exercícios específicos.

25 a 45 graus. Colete (18 a 23 horas por dia) enquanto há crescimento — com evidência de reduzir a progressão para o limiar cirúrgico. Exercícios específicos associados.

Acima de 45 a 50 graus. Cirurgia geralmente indicada, porque curvas dessa magnitude tendem a progredir mesmo após o fim do crescimento e causam desequilíbrio e, em curvas torácicas grandes, comprometimento respiratório.

O que muda em adultos

O crescimento acabou; as curvas abaixo de 30 graus tendem a ser estáveis, e as acima de 50 progridem lentamente (cerca de 1 grau ao ano). Colete não tem papel. A cirurgia é indicada por dor incapacitante, estenose sintomática, desequilíbrio progressivo ou progressão documentada — não pelo número isolado.

Então, 20 graus precisa de cirurgia?

Não. Nem em adolescentes nem em adultos. Em adolescentes, é observação (e, se progredir, colete); em adultos, é uma curva estável que não exige tratamento além de exercício e atenção a sintomas.

Outros fatores que pesam

Maturidade esquelética (sinal de Risser, idade da menarca), velocidade de progressão, localização da curva (torácicas progridem mais), rotação vertebral, equilíbrio do tronco, sintomas, e a preferência da família e do paciente.

Quando procurar o especialista

Agende avaliação com especialista em coluna com experiência em deformidade para qualquer curva acima de 10 graus em criança ou adolescente, e para adultos com curva e sintomas. O acompanhamento durante o crescimento é o que permite intervir no momento certo.

Perguntas frequentes

Curva de 30 graus vai crescer? Em adolescente em crescimento, é possível; por isso o colete. Em adulto, tende a ser estável.

Radiografias frequentes fazem mal? A dose é baixa e protocolos modernos usam técnicas de baixa radiação; o acompanhamento é necessário durante o crescimento.

Exercício pode reduzir os graus? Exercícios específicos podem reduzir a progressão e, em alguns estudos, alguns graus em curvas leves; não substituem o colete quando indicado.


Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Referências

  1. Weinstein SL, et al. Effects of bracing in adolescents with idiopathic scoliosis. N Engl J Med. 2013;369(16):1512-1521. PMID: 24047455. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24047455/
  2. Negrini S, et al. 2016 SOSORT guidelines: orthopaedic and rehabilitation treatment of idiopathic scoliosis during growth. Scoliosis Spinal Disord. 2018;13:3. PMID: 29435499. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29435499/
  3. Cheng JC, et al. Adolescent idiopathic scoliosis. Nat Rev Dis Primers. 2015;1:15030. PMID: 27188385. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27188385/