Três palavras que aparecem em quase todo laudo de ressonância — e que costumam ser tratadas como sinônimos de "hérnia". Não são. Cada uma descreve um grau diferente de alteração do disco, com significado e prognóstico próprios. Entender a diferença ajuda a interpretar o exame com calma e a conversar melhor com o médico.
Como o disco se altera
O disco intervertebral tem um anel fibroso externo e um núcleo gelatinoso central. Com o tempo e a carga, o anel pode enfraquecer, e o núcleo pode empurrar ou atravessar essa parede. A nomenclatura internacional (consenso das sociedades de coluna e radiologia) classifica o que se vê na imagem em uma escala progressiva.
Abaulamento discal
O disco "transborda" de forma difusa, em mais da metade da sua circunferência, como um pneu com pouca pressão. Não é hérnia. É um achado extremamente comum — presente em cerca de 30% das pessoas de 20 anos sem nenhuma dor e em mais de 80% aos 80 anos. Raramente comprime nervos. Na maioria das vezes, não precisa de tratamento específico além de cuidados gerais com a coluna.
Protrusão discal
Aqui existe um deslocamento localizado do disco (menos de um quarto da circunferência), mas o material ainda está contido pelas fibras externas do anel: a base do deslocamento é mais larga que a sua "ponta". É a forma mais leve de hérnia. Pode ou não tocar uma raiz nervosa. Também é frequente em pessoas sem sintomas (cerca de 30% aos 20 anos, 40% aos 60). Quando causa dor irradiada, o tratamento conservador resolve a grande maioria dos casos.
Extrusão discal
O material do núcleo atravessa o anel de forma mais franca: a "cabeça" é maior que a base, ou o fragmento se estende para cima ou para baixo do espaço do disco. É a hérnia propriamente dita, mais associada a dor irradiada e compressão. Paradoxalmente, tem maior chance de regressão espontânea que a protrusão: cerca de 70% diminuem com o tempo, segundo revisão sistemática.
Sequestro (fragmento livre)
Um pedaço do disco se desprendeu completamente e está solto no canal. Pode causar dor intensa, mas é o tipo com a maior taxa de reabsorção pelo organismo — cerca de 96%.
Termos associados
- Contato com o saco dural: o disco encosta na membrana que envolve os nervos. Achado frequente, geralmente sem significado.
- Compressão radicular / contato com a raiz: o disco toca ou comprime uma raiz nervosa. Ganha importância quando os sintomas correspondem àquela raiz.
- Foraminal / extraforaminal / central: descrevem a localização da hérnia — no orifício de saída da raiz, fora dele ou no centro do canal. Ajudam a explicar o padrão dos sintomas e a planejar o tratamento.
O que importa de verdade
O nome no laudo não define gravidade nem tratamento. Uma protrusão que comprime a raiz certa e causa dor incapacitante pesa mais que uma extrusão em quem não sente nada. A pergunta que o especialista faz é: este achado explica os seus sintomas? Só o exame físico responde.
Quando procurar o especialista
Leve o exame ao cirurgião de coluna se o laudo descreve compressão radicular ou medular, se você tem dor irradiada, formigamento ou fraqueza, ou se quer saber quais achados têm relação com o seu quadro.
Perguntas frequentes
Abaulamento vira hérnia? Pode evoluir, mas não necessariamente. Coluna forte, peso adequado e não fumar reduzem o risco.
Protrusão precisa de cirurgia? Quase nunca. A cirurgia é reservada a hérnias com compressão e sintomas que não respondem ao tratamento conservador.
Devo repetir a ressonância para ver se a hérnia "secou"? Só se houver mudança clínica. A conduta segue os sintomas, não a imagem.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica.
Referências
- Fardon DF, Williams AL, Dohring EJ, et al. Lumbar disc nomenclature: version 2.0. Spine J. 2014;14(11):2525-2545. PMID: 24768732. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24768732/
- Brinjikji W, et al. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. AJNR. 2015;36(4):811-816. PMID: 25430861. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25430861/
- Chiu CC, et al. The probability of spontaneous regression of lumbar herniated disc: a systematic review. Clin Rehabil. 2015;29(2):184-195. PMID: 25009200. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25009200/

