Eletrodos na pele, formigamento agradável, alívio durante a sessão. A eletroterapia é onipresente em clínicas de fisioterapia, e os pacientes gostam. A evidência, porém, coloca esses recursos no lugar de coadjuvantes: podem aliviar por algum tempo, não mudam a evolução da dor, e nunca devem ser a base do tratamento.
TENS (estimulação elétrica nervosa transcutânea)
O que faz: correntes de baixa intensidade que estimulam fibras sensitivas, "fechando o portão" da dor na medula e liberando opioides endógenos. Alívio durante e logo após a aplicação.
Evidência: revisões sistemáticas (Cochrane e outras) mostram resultados inconsistentes na dor lombar crônica; quando há efeito, é de curto prazo. As diretrizes americanas e europeias não recomendam o TENS como tratamento para dor lombar, embora seja seguro e possa ser usado como alívio sintomático em quem prefere evitar medicação.
Uso razoável: aparelhos portáteis para uso domiciliar em crises, como alternativa ao analgésico, enquanto o tratamento ativo acontece.
Corrente russa e outras correntes de fortalecimento
O que faz: estimulação elétrica de média frequência que contrai o músculo, usada para "fortalecer" ou reeducar.
Evidência: a contração eletricamente induzida ativa músculos, mas o ganho de força é inferior ao do exercício voluntário e não se transfere para a função. Na coluna, não há evidência de que fortaleça o core ou reduza dor de forma relevante. Pode ter uso pontual em reeducação de músculos inibidos após cirurgia, junto com exercício.
Interferencial, ultrassom, laser, ondas curtas
Recursos frequentes com evidência fraca ou ausente para dor lombar; diretrizes não os recomendam. Ondas curtas e micro-ondas são contraindicadas sobre implantes metálicos.
O que a evidência recomenda no lugar
Exercício, educação, manter-se ativo, terapia manual como complemento, calor superficial na fase aguda — e, na dor persistente, abordagem multidisciplinar.
Quando a eletroterapia atrapalha
Quando ocupa o tempo da sessão que deveria ser de exercício; quando cria dependência de "aparelhos"; quando substitui a reabilitação ativa em programas longos sem progressão; quando adia a investigação de dor que não melhora.
Quando procurar o especialista
Se sua fisioterapia é baseada em aparelhos e a dor não melhora, discuta com o fisioterapeuta e o especialista um programa ativo; se a dor persiste apesar de semanas de eletroterapia, reavalie o diagnóstico.
Perguntas frequentes
TENS em casa é seguro? Sim, seguindo instruções; contraindicado com marca-passo e sobre áreas com sensibilidade alterada.
Corrente russa fortalece o abdome? Contrai, mas não substitui pranchas e exercícios; o ganho funcional é pequeno.
Posso fazer TENS com parafusos na coluna? Sim, com ajuste; ondas curtas e micro-ondas, não.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Referências
- Khadilkar A, Odebiyi DO, Brosseau L, Wells GA. Transcutaneous electrical nerve stimulation (TENS) versus placebo for chronic low-back pain. Cochrane Database Syst Rev. 2008;(4):CD003008. PMID: 18843638. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18843638/
- Qaseem A, et al. Noninvasive treatments for acute, subacute, and chronic low back pain. Ann Intern Med. 2017;166(7):514-530. PMID: 28192789. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28192789/
- Foster NE, et al. Prevention and treatment of low back pain: evidence, challenges, and promising directions. Lancet. 2018;391:2368-2383. PMID: 29573872. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29573872/

