O laudo da radiografia diz "osteofitose marginal" ou "osteófitos anteriores em L3-L4-L5". O médico traduz: bico de papagaio. Para muitos, soa como diagnóstico de uma doença; na prática, é a descrição de um processo de envelhecimento ósseo que aparece na radiografia da maioria dos adultos a partir dos 50 anos — e que, isoladamente, quase nunca explica a dor.
O que são
Projeções ósseas nas bordas das vértebras (por isso "marginais"), geralmente na frente ou nas laterais. Formam-se onde o disco perdeu altura e o osso responde aumentando a área de contato para estabilizar o segmento. A radiografia mostra bem os osteófitos anteriores e laterais; os posteriores, que podem estreitar o canal, aparecem melhor na tomografia e na ressonância.
Com que frequência
Osteófitos lombares em radiografias estão presentes em mais da metade das pessoas acima de 50 anos e em quase todas acima de 70, com ou sem dor. Na cervical, semelhante. Em trabalhadores com carga e em atletas de força, aparecem mais cedo.
Dói?
O osteófito não tem nervos. A dor, quando existe, vem do processo degenerativo ao redor (facetas, disco, músculos) ou, raramente, de compressão de raiz por osteófito posterior ou foraminal — situação em que há dor irradiada e formigamento, não apenas dor local. Osteófitos anteriores grandes na cervical podem, muito raramente, causar dificuldade para engolir.
O que o laudo pode acrescentar
- "Osteófitos anteriores": quase sempre sem relevância clínica.
- "Osteófitos posteriores com redução do forame/canal": podem comprimir; a ressonância avalia se há compressão neural.
- "Pontes ósseas" entre vértebras: sinal de anquilose, comum na hiperostose esquelética difusa (DISH) — condição benigna que enrijece a coluna — ou na espondilite anquilosante (que tem outro padrão e outros sintomas).
- "Osteófitos em bico" x "sindesmófitos" verticais: o radiologista diferencia degeneração de espondiloartrite.
O que fazer
Nada pelo osteófito em si. Trate os sintomas, se houver, como qualquer dor de coluna degenerativa: exercício, peso, hábitos, fisioterapia. Se há dor irradiada, investigue compressão com ressonância. Não repita radiografias para "ver se cresceu".
Quando procurar o especialista
Se, junto com os osteófitos, há dor irradiada, formigamento, fraqueza, rigidez matinal prolongada em pessoa jovem, ou dificuldade para engolir com osteófitos cervicais grandes, agende avaliação. Para osteófitos isolados com dor lombar comum, o tratamento é o da dor — e uma consulta para esclarecer o laudo evita preocupação.
Perguntas frequentes
Bico de papagaio some com tratamento? Não; ele permanece, sem que isso importe para a maioria.
Precisa operar para retirar? Apenas nos raros casos de compressão neural sintomática ou de dificuldade para engolir.
Exercício faz os osteófitos crescerem? Não; o sedentarismo é pior para a coluna.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Referências
- Brinjikji W, et al. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. AJNR. 2015;36(4):811-816. PMID: 25430861. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25430861/
- O'Neill TW, McCloskey EV, Kanis JA, et al. The distribution, determinants, and clinical correlates of vertebral osteophytosis: a population based survey. J Rheumatol. 1999;26(4):842-848. PMID: 10229405. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10229405/
- Hartvigsen J, et al. What low back pain is and why we need to pay attention. Lancet. 2018;391:2356-2367. PMID: 29573870. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29573870/

