Tratar um aneurisma cerebral pelo interior das artérias — entrando por uma punção na virilha ou no punho e navegando com cateteres até o cérebro — tornou-se, nas últimas duas décadas, a forma mais frequente de tratamento em muitos centros. A embolização ocupa o aneurisma por dentro, excluindo-o da circulação, sem craniotomia. Entender como funciona, quando é preferida e quais são seus limites ajuda na decisão entre ela e a clipagem.
Como é feita
Sob anestesia geral, em sala de hemodinâmica com angiografia. Um cateter é introduzido pela artéria femoral (virilha) ou radial (punho) e guiado até a artéria cerebral que dá origem ao aneurisma. Um microcateter entra no aneurisma e, por ele, o neurorradiologista intervencionista ou neurocirurgião endovascular deposita: - Molas de platina (coils): preenchem o saco do aneurisma, induzindo a formação de um coágulo que o oclui. - Stents de suporte: mantêm as molas dentro de aneurismas de colo largo. - Desviadores de fluxo (flow diverters): stents de malha densa colocados na artéria, que redirecionam o fluxo e fazem o aneurisma se fechar ao longo de meses — para aneurismas grandes, de colo largo ou de formato complexo. - Dispositivos intrassaculares (WEB e similares) para aneurismas de bifurcação. Dura 1 a 3 horas; internação de 1 a 3 dias em aneurisma não roto.
Embolização ou clipagem?
Aneurisma roto: o estudo ISAT mostrou melhor resultado funcional em um ano com embolização, em aneurismas elegíveis para as duas técnicas, com maior taxa de retratamento a longo prazo. Hoje, a maioria dos rotos elegíveis é embolizada.
Aneurisma não roto: a escolha depende de localização (alguns são mais acessíveis pela cirurgia, como os da artéria cerebral média; outros, pela via endovascular, como os da circulação posterior), formato, idade (a clipagem é mais durável, o que pesa em jovens), condições clínicas e experiência da equipe. A decisão é multidisciplinar.
Vantagens
Sem craniotomia; recuperação rápida; menor risco em aneurismas de localização profunda; adequada a pacientes idosos ou com comorbidades.
Limites e riscos
Oclusão incompleta ou recanalização (o aneurisma pode reabrir parcialmente) em 10% a 20% ao longo dos anos, exigindo acompanhamento com angiografia ou angiorressonância e, às vezes, retratamento; ruptura durante o procedimento (rara); AVC por trombos ou oclusão de ramos (2% a 5%); complicações no local da punção. Desviadores de fluxo e stents exigem antiagregantes (AAS e clopidogrel) por meses.
Acompanhamento
Angiorressonância ou angiografia em 6 a 12 meses e depois periodicamente, para confirmar a oclusão. Controle de pressão arterial e cessação do tabagismo continuam essenciais.
Quando procurar o especialista
Diagnosticado um aneurisma, a avaliação em centro que ofereça as duas técnicas (endovascular e cirúrgica) permite escolher a melhor para o seu caso. Dor de cabeça súbita e explosiva é emergência.
Perguntas frequentes
Vou sentir as molas? Não; são internas e não causam sensação.
Posso fazer ressonância com molas e stents? Sim, com os dispositivos atuais; informe o serviço.
O aneurisma pode voltar? Pode recanalizar em parte; o acompanhamento identifica e o retratamento é possível.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Referências
- Molyneux A, et al. International Subarachnoid Aneurysm Trial (ISAT) of neurosurgical clipping versus endovascular coiling in 2143 patients with ruptured intracranial aneurysms. Lancet. 2002;360(9342):1267-1274. PMID: 12414200. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12414200/
- Molyneux AJ, Birks J, Clarke A, et al. The durability of endovascular coiling versus neurosurgical clipping of ruptured cerebral aneurysms: 18 year follow-up of the UK cohort of the ISAT. Lancet. 2015;385(9969):691-697. PMID: 25465111. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25465111/
- Becske T, Kallmes DF, Saatci I, et al. Pipeline for uncoilable or failed aneurysms: results from a multicenter clinical trial. Radiology. 2013;267(3):858-868. PMID: 23418004. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23418004/

