"Artrose facetária L4-L5 e L5-S1", "hipertrofia facetária", "esclerose e osteófitos das facetas": o laudo descreve o desgaste das pequenas articulações da parte de trás da coluna. É um dos achados mais universais da coluna madura — e um dos mais frequentemente citados como "a causa" de dores que têm outra origem. Entender o que é, quando dói e como se confirma evita tratamentos no alvo errado.

O que são as facetas

Cada vértebra se articula com a vizinha por duas facetas, uma de cada lado, na parte posterior. São articulações verdadeiras, com cartilagem, cápsula e líquido sinovial, que guiam o movimento e compartilham a carga com o disco. Quando o disco perde altura, as facetas recebem mais carga e desgastam.

O que o laudo descreve

  • Hipertrofia: aumento das facetas por osteófitos — pode estreitar o canal e o forame (contribui para estenose).
  • Esclerose: osso denso por sobrecarga.
  • Redução do espaço articular, irregularidade da cartilagem.
  • Cisto sinovial: bolsa de líquido que se forma na cápsula degenerada; pode comprimir raiz.
  • Líquido intra-articular na ressonância: sugere instabilidade em alguns contextos.
  • Graus: leve, moderada, avançada.

Com que frequência

Artrose facetária lombar está presente em mais de 60% das pessoas acima de 60 anos e em quase todas acima de 70, com ou sem dor. Na cervical, semelhante. A presença na imagem não prova que a faceta dói.

Quando a faceta dói

Padrão facetário: dor localizada, pior em extensão (arquear para trás, ficar em pé, levantar da cadeira), melhor em flexão e sentado, rigidez matinal breve, irradiação difusa até o glúteo e a coxa sem passar do joelho, sem formigamento. A confirmação, quando se cogita procedimento, é pelo bloqueio diagnóstico dos ramos mediais, não pela imagem.

Quando a faceta comprime

Hipertrofia importante pode estreitar o forame (dor irradiada por compressão de raiz) ou o canal (estenose com claudicação). Aí o laudo descreve "estenose foraminal por hipertrofia facetária" e os sintomas são de nervo, não de articulação.

Tratamento

Exercício (core, glúteos, mobilidade de quadril; evitar hiperextensões), controle de peso, fisioterapia, medicação em crises; infiltração facetária em crises; radiofrequência dos ramos mediais em dor confirmada por bloqueio; cirurgia apenas se a hipertrofia causa estenose sintomática (descompressão) ou se há cisto sinovial com compressão radicular.

Quando procurar o especialista

Dor com padrão facetário persistente apesar do exercício, ou artrose facetária com dor irradiada, formigamento ou claudicação: avaliação para confirmar a fonte e definir o tratamento.

Perguntas frequentes

Artrose facetária vira estenose? A hipertrofia contribui para o estreitamento; nem toda artrose facetária evolui para estenose sintomática.

Preciso repetir a ressonância? Não sem mudança clínica.

Cisto sinovial precisa operar? Só se comprime raiz com sintomas que não respondem a tratamento conservador ou infiltração.


Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Referências

  1. Cohen SP, Raja SN. Pathogenesis, diagnosis, and treatment of lumbar zygapophysial (facet) joint pain. Anesthesiology. 2007;106(3):591-614. PMID: 17325518. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17325518/
  2. Brinjikji W, et al. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. AJNR. 2015;36(4):811-816. PMID: 25430861. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25430861/
  3. Gellhorn AC, Katz JN, Suri P. Osteoarthritis of the spine: the facet joints. Nat Rev Rheumatol. 2013;9(4):216-224. PMID: 23147891. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23147891/